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Quem é Santiago Peña, presidente do Paraguai, que renunciou após crise bancária

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Quem é Santiago Peña, presidente do Paraguai, que renunciou após crise bancária

Santiago Peña, economista de direita de 47 anos, renunciou à presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5). Peña foi governante mais jovem da era democrática do Paraguai, chegou à presidência sob a forte influência de Cartes, um político veterano que também é um rico empresário do ramo do tabaco e que está incluído em uma lista de sanções pelos Estados Unidos como “significativamente corrupto”.

Peña renunciou após o escândalo envolvendo Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios do chefe de Estado.

Alto e de porte atlético, este ex-jogador de rúgbi é considerado um tecnocrata com uma brilhante carreira acadêmica, mas com pouca experiência na política.

Peña prometeu trabalhar pela prosperidade de seu país durante sua posse. “O sucesso é fazer todos os paraguaios estarem melhor e que o mundo seja testemunha do ressurgimento de um gigante”, disse.

Hoje, Peña disse que “a história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe viver. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.

Peña estudou Economia na Universidade Católica do Paraguai e fez mestrado na Universidade de Colúmbia (Nova York). Em sua experiência internacional, trabalhou no departamento para a África do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.

Entre 2000 e 2009, foi funcionário do Banco Central (BC). Em 2012, integrou a direção do BC e, em 2014, foi nomeado ministro da Fazenda por Cartes, que o fez se filiar ao Partido Colorado (conservador). A legenda domina a vida política do Paraguai desde o século XIX.

Em 2017, perdeu para Mario Abdo Benítez a possibilidade de se candidatar à presidência durante as eleições primárias. Oportunidade que recuperou quatro anos depois.

Para atacá-lo, seus adversários se referem a ele como “secretário de Cartes”, o que parece não afetá-lo. “É alguém muito sereno, impressiona sua tranquilidade”, disse à AFP um dos seus colaboradores.

Família tradicional

Filho do economista José María Peña e da argentina Ana María Palacios, o novo presidente é o mais novo de três irmãos.

É casado com Leticia Ocampos, com quem teve seu primeiro filho, Gonzalo, antes de completar os 18 anos. O casal também tem uma filha, Costanza, de 16.

De moral conservadora, é contra o aborto por considerá-lo “um atalho, o [caminho] mais fácil”, e também rejeita o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“Defendo a família em sua composição tradicional: mãe, pai e filhos”, disse à AFP.

Recentemente, apoiou o Congresso, que rejeitou uma doação de 38 milhões de euros (cerca de R$ 207 milhões) para um projeto educacional, por utilizar a linguagem inclusiva.

“Não se pode suscitar na criança, desde cedo, que quem quer ser menino se sente menino e quem se sente menina é menina. Não. A rede escolar não pode mudar isso (…) Valorizamos quando alguém vem doar dinheiro, mas o dinheiro não pode condicionar nosso estilo de vida e nossas crenças”, disse ele.

Desculpas à população

O paraguaio também pediu desculpas à população. “Também quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. Todos os dias assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias no nosso sistema financeiro”, afirmou

Risco de impeachment

Antes de Santiago Peña anunciar a renúncia ao cargo, um processo de impeachment contra ele avançava no Legislativo. A principal bancada governista divulgou que apoiava a saída do presidente.

“Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”, afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X. Segundo ele, a legenda apoiará o julgamento político para “reconduzir a institucionalidade da República”.

A Câmara havia iniciado nesta manhã a sessão para analisar a acusação contra Peña. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a adesão da bancada, com 35 deputados presentes, somou-se ao apoio dos demais grupos políticos e abriu a possibilidade de votação unânime. Para encaminhar o processo ao Senado, são necessários dois terços dos votos dos deputados presentes. A eventual destituição dependerá do julgamento pela Câmara Alta.

Entenda crise bancária

Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção, na terça-feira (3), cobrando a liberação de seu dinheiro do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A instituição financeira foi colocada sob intervenção depois de ser considerado insolvente. Ou seja, sem capacidade de honrar seus compromissos.

O Banco Central do Paraguai determinou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes. Nesta quarta-feira (4), o órgão suspendeu temporariamente saques de dinheiro de determinados fundos de investimentos vinculados ao Ueno Bank. A instituição financeira atendia quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios.

O órgão também comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores do Ueno Bank. A antecipação será de até 40 salários mínimos. Dívidas pendentes com a instituição financeira serão deduzidas do valor.

Já a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na crise bancária. Dentre eles, estão o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e do diretor-executivo da instituição financeira, Federico Miguel Vázquez.

*Com informações do Estadão Conteúdo e AFP

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