O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, está concentrado em estruturar sua defesa jurídica nos próximos meses para responder a três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Estratégia jurídica e investigações
Diferente de outros aliados, o político formou uma equipe de defensores que atua contra o relógio para barrar novas medidas judiciais. O parlamentar deixou o Brasil rumo a Miami após o ministro Alexandre de Moraes determinar a entrega de seus passaportes, em investigação sobre suposta lavagem de divisas envolvendo empresas e plataformas de apostas, ao lado do advogado Willer Tomaz.
A equipe jurídica também trabalha para tentar transferir esse caso para a relatoria do ministro André Mendonça. No total, o ex-candidato responde por três apurações na Justiça brasileira, que incluem suspeitas de irregularidades no financiamento da produção cinematográfica Dark Horse e uma acusação de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Asilo político e articulação no exterior
Nos Estados Unidos, o parlamentar planeja solicitar asilo político à gestão de Donald Trump. A justificativa será baseada em alegações de perseguição, ameaças e supostas violações de direitos humanos em território brasileiro.
Em solo norte-americano, ele se encontrou com Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, ambos alvos de condenações pela Suprema Corte. Ramagem, inclusive, chegou a ser detido temporariamente por autoridades migratórias na Flórida após período na clandestinidade.
Repercussão da carta e atrito político
A saída do país ocorreu de forma sigilosa e após o descumprimento da ordem para entregar os documentos de viagem, utilizando um passaporte italiano para o embarque. Já no exterior, a publicação de um manifesto gerou forte desgaste com legendas aliadas e dirigentes partidários.
No texto inicial, o político autodefinia-se como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O trecho foi apagado minutos depois, sendo substituído por “líder do Brasil”. A repercussão negativa atingiu até mesmo o comando de sua legenda.
O dirigente da sigla, Valdemar Costa Neto, manifestou insatisfação com a divulgação ao visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Não gostei, não gostei”, declarou.
Além disso, uma representação foi protocolada na Polícia Federal para apurar o uso indevido do brasão da República no documento de viés golpista. O resultado oficial do pleito, que consagrou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva com 64,2 milhões de sufrágios, foi validado pela Justiça eleitoral, observadores internacionais e pela própria oposição.








