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Centro político busca dominar bolsonarismo e traça planos para 2030

Caciques partidários articulam reformas e apostam em Tarcísio de Freitas para conter a ala mais radical da direita.

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Centrão tem janela rara para "domar" o bolsonarismo

O bloco político conhecido como Centrão enxerga uma oportunidade estratégica única para controlar o movimento bolsonarista, mantendo a base de eleitores fiéis a Jair Bolsonaro sem depender de sua tutela direta.

O enfraquecimento do clã bolsonarista

A conjuntura atual favorece essa movimentação. Flávio Bolsonaro perdeu a disputa eleitoral, encontra-se no exterior e corre o risco de perder espaço dentro da própria legenda por causa da radicalização de suas falas.

Paralelamente, Jair Bolsonaro cumpre pena de prisão e, mesmo que seja liberado no futuro, continuará impedido de disputar eleições e lidando com complicações médicas. Os demais herdeiros políticos da família ainda não possuem musculatura suficiente para liderar todo o grupo.

Mudanças nas regras eleitorais na Câmara

Diante desse cenário, os partidos articulam estratégias em duas frentes principais: assegurar que o próximo líder da direita tenha alinhamento com o bloco e alterar a legislação eleitoral para devolver poder às legendas, enfraquecendo figuras da internet.

Essa articulação já está em andamento na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), assumiu o compromisso de acelerar a tramitação da reforma política que extingue o sistema proporcional puro e adota o modelo distrital misto.

Com essa alteração, a força de grandes puxadores de votos tende a minguar. Metade das vagas continuará seguindo a regra tradicional, enquanto os demais assentos serão definidos pelo voto distrital, formato que tende a beneficiar os caciques partidários tradicionais.

Dessa maneira, os influenciadores digitais precisarão se curvar às cúpulas partidárias e moderar o tom de seus discursos para garantirem espaço nas siglas. O resultado prático será a retração de candidaturas avulsas que utilizam o alcance digital para confrontar os comandos partidários.

Estratégia de longo prazo para 2030

Pensando já na disputa presidencial de 2030, as principais lideranças do Centrão trabalham para barrar uma candidatura sem filtro definida de forma unilateral por Jair Bolsonaro.

Os dirigentes partidários defendem uma reformulação e articulam o nome do governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como a alternativa de conciliação entre o eleitorado bolsonarista e os partidos do centro.

No entanto, o governador enfrenta um equilíbrio delicado. Ele precisa projetar uma imagem moderada, mas não pode romper com o bolsonarismo para não perder seu capital político essencial.

O temor das lideranças é que, sem Tarcísio consolidado como herdeiro natural, figurem candidaturas alternativas imprevisíveis, a exemplo do que ocorreu com Pablo Marçal durante o pleito municipal paulistano em 2024.

Apesar da tendência de resistência e de discursos inflamados por parte dos setores mais radicais da direita, a expectativa dos articuladores é que a influência desse grupo perca força com a atuação remota de figuras como Flávio e Eduardo Bolsonaro.

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