A impunidade nos homicídios de profissionais da imprensa registrou um avanço inédito desde o ano de 2012, conforme apontou um documento divulgado nesta segunda-feira (2) em alusão ao Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas.
Panorama global da impunidade Conforme o levantamento, “a taxa global de impunidade pelos assassinatos de jornalistas aumentou um ponto percentual, a 86%”. Na prática, esse índice revela que seis a cada sete mandantes e executores de crimes contra comunicadores não sofrem punições legais.
A estatística engloba crimes cujos processos seguem em andamento ou cujas apurações ainda não foram encerradas. O indicador vinha em trajetória de queda desde 2012, saindo de um patamar máximo de 95% e alcançando 85% no período anterior.
Violência em áreas de conflito armado O biênio recente contabilizou a morte de 189 jornalistas, trabalhadores da mídia e criadores de conteúdo com atuação jornalística, englobando 14 mulheres. O número marca o intervalo mais violento para a imprensa na última década, sendo que 67% das vítimas perderam a vida em cenários bélicos, a exemplo da Ucrânia, do Iêmen e dos Territórios Palestinos.
“As investigações e os processos judiciais relacionados aos assassinatos de jornalistas em zonas de guerra continuam particularmente insuficientes”, destacou Mariya Gabriel, vice-diretora-geral de Comunicação e Informação da Unesco.
A representante acrescentou que, embora a agência da ONU “não seja um tribunal de justiça”, a instituição exerce “pressão para que se faça justiça”.
Novas tecnologias e locais de risco O documento também chama a atenção para o emprego frequente de “veículos aéreos não tripulados ou drones”, que motivaram 26% das mortes nos anos de 2024 e 2025. O estudo reforça que os comunicadores continuam sendo alvejados mesmo dentro de suas residências ou utilizando vestimentas que os identificam como imprensa.
“Isto representa uma mudança importante no panorama mundial dos riscos para os jornalistas”, declarou Mariya Gabriel.
Balanço histórico das vítimas O levantamento aponta que “O Estado da Palestina voltou a registrar o maior número de casos em 2025, com pelo menos 32 homicídios”. Desde o início da contagem oficial pela agência internacional em 2006, 1.641 profissionais da comunicação foram mortos globalmente, o que resulta em uma média de um óbito a cada quatro dias.
Divergências metodológicas com outras entidades Os dados consolidados no relatório apresentam variações quando comparados aos registros divulgados por organizações como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas e a Repórteres Sem Fronteiras. A divergência é explicada pela instituição em razão das “circunstâncias de um óbito, que às vezes são difíceis de avaliar devido à constante evolução dos conflitos”.








