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Bets no Telegram: apostas ilegais ignoram proibição de Lula

Canais de apostas clandestinas somam milhares de seguidores e enviam links de jogos e cassinos sem autorização federal.

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Proibidas por Lula no Brasil, bets seguem atraindo apostadores no Telegram

Mesmo após o fim do prazo para a retirada de plataformas autorizadas do ar no Brasil, o aplicativo Telegram continua funcionando como um polo ativo de divulgação para o “jogo do tigrinho” e outras apostas clandestinas. Os grupos utilizam artifícios como bônus por indicação e promessas de retiradas sem taxas para atrair novos usuários.

A expansão clandestina nas redes sociais

Em análises recentes de seis canais diferentes na plataforma, a contagem de inscritos ultrapassava a marca de 43 mil perfis. O formato de transmissão em massa permite que administradores alcancem milhares de dispositivos simultaneamente, enquanto grupos de bate-papo comportam até 200 mil membros.

Surpreendentemente, parte dessa audiência ingressa nos espaços sem consentimento prévio. Diversos usuários relataram terem sido incluídos de maneira automática em vários canais de apostas no mesmo dia, frequentemente após integrarem comunidades de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Riscos financeiros e golpes com marcas conhecidas

A ausência de regulamentação expõe apostadores a prejuízos severos. Vítimas afirmam ter perdido recursos financeiros em páginas divulgadas pelo aplicativo, onde a recuperação de prêmios se torna inviável devido ao anonimismo dos operadores. O problema gerou inclusive conflitos de identidade comercial. Uma empresa legalizada precisou acionar a Fazenda após ter sua marca usurpada por um site irregular no aplicativo.

As autoridades federais intensificaram o cerco tecnológico. Desde a publicação da medida provisória, o governo já solicitou a exclusão de mais de mil grupos e determinou a derrubada de dezenas de milhares de domínios virtuais irregulares, bloqueando também os canais financeiros associados a essas companhias.

O cerco legal e a tramitação no Congresso

A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu o veto total a ofertas, intermediações e propagandas de quota fixa em cassinos virtuais e palpites esportivos, abrangendo inclusive marcas estrangeiras direcionadas ao público brasileiro.

Para que a norma se consolide permanentemente, o texto precisa passar pelo crivo de deputados e senadores dentro do prazo constitucional de 120 dias. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal avalia ações movidas por entidades do setor que contestam a proibição, enquanto o governo sustenta a medida como ferramenta essencial de proteção à saúde mental e financeira das famílias brasileiras.

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