O Congresso do Paraguai, que analisaria na noite desta quinta-feira (05) se aceitava ou não a renúncia do presidente Santiago Peña, suspenseu a análise após os governistas deixarem o plenário após forte disputa política entre entre o governo e a oposição. A ocorrência gerou falta de quórum para a votação. O líder paraguaio, eleito em 2023, anunciou na tarde desta quinta-feira (5) que renunciou ao cargo de presidente do Paraguai após o escândalo envolvendo Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios do chefe de Estado.
“A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe viver. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, disse Peña em um vídeo publicado nas redes sociais.
O paraguaio também pediu desculpas à população. “Também quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. Todos os dias assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias no nosso sistema financeiro”, afirmou.
Risco de impeachment
Antes de Santiago Peña anunciar a renúncia ao cargo, um processo de impeachment contra ele avançava no Legislativo. A principal bancada governista divulgou que apoiava a saída do presidente.
“Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”, afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X. Segundo ele, a legenda apoiará o julgamento político para “reconduzir a institucionalidade da República”.
A Câmara havia iniciado nesta manhã a sessão para analisar a acusação contra Peña. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a adesão da bancada, com 35 deputados presentes, somou-se ao apoio dos demais grupos políticos e abriu a possibilidade de votação unânime. Para encaminhar o processo ao Senado, são necessários dois terços dos votos dos deputados presentes. A eventual destituição dependerá do julgamento pela Câmara Alta.
Entenda crise bancária
Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção, na terça-feira (3), cobrando a liberação de seu dinheiro do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A instituição financeira foi colocada sob intervenção depois de ser considerado insolvente. Ou seja, sem capacidade de honrar seus compromissos.
O Banco Central do Paraguai determinou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes. Nesta quarta-feira (4), o órgão suspendeu temporariamente saques de dinheiro de determinados fundos de investimentos vinculados ao Ueno Bank. A instituição financeira atendia quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios.
O órgão também comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores do Ueno Bank. A antecipação será de até 40 salários mínimos. Dívidas pendentes com a instituição financeira serão deduzidas do valor.
Já a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na crise bancária. Dentre eles, estão o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e do diretor-executivo da instituição financeira, Federico Miguel Vázquez.
*Com informações do Estadão Conteúdo








