A sucessão na presidência do Senado ganhou novos contornos com a entrada de Carlos Bolsonaro no cenário legislativo. O parlamentar, agora eleito para o cargo, surge como a figura central para conduzir o bolsonarismo no plenário, substituindo nomes que deixarão a Casa no próximo ano. Sua atuação, historicamente marcada por uma postura de bastidores, será colocada à prova em um momento de tensão interna no Partido Liberal.
Tensões internas e o método de Marinho O senador Rogério Marinho (PL-RN) oficializou sua candidatura após reunião da bancada, sustentando que possui o apoio de mais de 40 parlamentares para superar Davi Alcolumbre (União-AP). Contudo, a falta de clareza sobre a origem desses votos tem gerado insatisfação. Integrantes da própria sigla relataram desconforto com o que classificam como autoritarismo na condução do processo, apontando que a decisão ocorreu sem um diálogo amplo com os demais senadores.
O impacto da pressão bolsonarista O clima de descontentamento foi agravado por um vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. O senador, que não renovou seu mandato, afirmou que vai “cobrar” o voto em Marinho dos senadores que se elegeram com o apoio da família. Essa postura, somada à movimentação de aliados, coloca pressão sobre os parlamentares recém-eleitos, cujo comportamento no plenário ainda é uma incógnita para as lideranças partidárias.
Desafios e divisões na oposição A estratégia de Marinho enfrenta obstáculos concretos, especialmente a falta de unidade no campo conservador. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém sua candidatura e, ao ser questionada sobre o cenário, disse à CNN Brasil que vai pedir voto “até para o Alcolumbre”. Embora Marinho tente minimizar o atrito classificando-a como parceira, a senadora não sinalizou desistência. Além disso, o PP, partido de Tereza, tem se aproximado do governo, dificultando a coesão que o PL busca para a disputa.
A movimentação de Davi Alcolumbre Do outro lado, Davi Alcolumbre adota uma postura cautelosa. Aliados indicam que ele já consolidou apoio de cinco partidos e foca em conversas individuais com os novatos. O objetivo é manter os acordos sob sigilo até a véspera da eleição, evitando que seus apoiadores sejam alvos precoces de pressões digitais. Enquanto o cenário se desenha, Marinho tenta repetir a aposta feita em 2023, quando também projetou uma virada que não se concretizou nas urnas.








