A queda do Fokker-100 da TAM ocorrida em 31 de outubro de 1996 completa três décadas, marcada na memória da aviação nacional como uma das maiores tragédias aéreas do país. A aeronave decolou da capital paulista com destino ao Rio de Janeiro, mas permaneceu no ar por apenas 24 segundos antes de atingir edificações residenciais e explodir.
O impacto e a dor das famílias
O desastre aéreo resultou na morte de 99 pessoas, sendo 95 ocupantes do avião e quatro moradores na área atingida. Entre as vítimas estava o médico cardiologista José Rahal Abu Assali, de 45 anos, cujo falecimento transformou profundamente a trajetória de sua esposa, Sandra Assali.
Luta e preservação da memória
Meses após a tragédia, Sandra ajudou a fundar a Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), entidade da qual hoje é presidente. A organização presta suporte a enlutados, reivindica direitos e atua na prevenção de novos acidentes.
Em um artigo publicado nas redes sociais, Sandra falou sobre o acidente: “Eu perdi meu marido, Abu, no TAM 402. Perdi parte da vida que havíamos sonhado construir juntos. Mas não permiti que aquela perda encerrasse a minha capacidade de agir, de lutar e de buscar mudanças.”
Nas primeiras horas após o acidente, os familiares enfrentaram dificuldades de comunicação com a companhia aérea, que inicialmente repassou informações desencontradas sobre o destino do voo antes de confirmar oficialmente o envolvimento da aeronave.
Investigação e falhas técnicas
O laudo emitido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a queda foi provocada por uma cadeia de falhas mecânicas, elétricas e operacionais, somadas a deficiências no projeto do Fokker-100.
O reversor de empuxo do motor direito acionou-se de forma espontânea logo após a decolagem, gerando assimetria na tração. A tripulação, sem alertas visuais claros no painel e sem treinamento específico em simulador para esse tipo de emergência, tentou corrigir a potência, o que rompeu cabos de segurança e agravou a perda de controle da aeronave em poucos segundos.








