A Meta, companhia proprietária do Instagram e Facebook, enviou um esclarecimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negando qualquer interferência no processo eleitoral brasileiro. A empresa afirmou que a redução na contagem de visualizações nos vídeos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrada em 7 de outubro, foi decorrente de um problema técnico que atingiu o sistema de métricas em nível mundial, sem qualquer relação com preferências partidárias ou o cenário político nacional.
Entenda a falha técnica no Instagram O documento, protocolado pelo Facebook Serviços Online do Brasil, detalha que o erro ocorreu entre as 15h50 e as 20h49 daquele dia, impactando a exibição do contador de reproduções dos Reels. Durante este intervalo, os números ficaram congelados ou zerados, embora a empresa garanta que o alcance dos vídeos seguiu operando normalmente. Segundo a Meta, o incidente afetou criadores de conteúdo em mais de cem países, o que teria gerado uma percepção equivocada de queda no alcance. A plataforma esclareceu que, no período mencionado, a distribuição dos conteúdos da conta oficial de Lula ficou “substancialmente acima de sua própria linha de base recente”.
O embate jurídico A explicação foi uma resposta à representação da Coligação Brasil Pronto pra Mais, que engloba partidos como PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSol e Rede. O grupo acusa a plataforma de atuar para beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições. A campanha alega, inclusive, episódios anteriores de restrições, como a remoção do perfil de Lula de mecanismos de busca e a suspensão de anúncios. Sobre esses pontos, a Meta solicitou um prazo adicional de 48 horas para fornecer registros detalhados sobre as medidas aplicadas nos perfis oficiais desde agosto.
Sigilo de terceiros Em relação a solicitações para acessar dados de contas de outros usuários citadas na petição, a empresa manteve uma postura de recusa, argumentando que essas informações são protegidas por sigilo e que os perfis mencionados não fazem parte do processo. A empresa reforçou que, durante o período da falha, “enquanto a entrega do conteúdo continuou normalmente”, apenas o painel de visualizações apresentou instabilidade técnica.
Próximos passos no TSE O caso teve origem no último sábado, quando o ministro Marco Aurélio Bellizze, juiz auxiliar de propaganda do TSE, ordenou que a empresa prestasse esclarecimentos sobre a gestão de seus sistemas de distribuição. Com a chegada da resposta da Meta, o tribunal abrirá um prazo de 24 horas para que a coligação e a Procuradoria-Geral Eleitoral apresentem suas considerações. Somente após essas manifestações é que o pedido de tutela de urgência será analisado pela justiça.








