A televisão aberta brasileira parece ter desistido de conquistar as novas gerações. Ao não oferecer uma programação dedicada ao público com menos de 20 anos, as emissoras demonstram uma postura de descaso que beira a irresponsabilidade. Embora eventos pontuais, como a homenagem à TV Globinho no Criança Esperança, gerem engajamento nas redes sociais, os números de audiência mostram que a nostalgia não é suficiente para segurar o telespectador diante da tela.
A falência da estratégia infantil O especial da TV Globinho registrou apenas 6 pontos na Grande São Paulo, provando que ações isoladas não revertem a debandada do público jovem. O abandono desse nicho é agravado por uma legislação defasada que restringe a publicidade infantil, um tema que exige debate urgente diante das profundas transformações no consumo de mídia. Hoje, o espectador migrou para o streaming e redes sociais, tornando a reconquista desse público uma tarefa cada vez mais complexa.
A falta de união do setor Um dos maiores problemas das emissoras brasileiras é a insistência em rivalidades obsoletas. Enquanto o mercado exige cooperação, as redes ainda operam com a mentalidade do século passado, tratando concorrentes como inimigos. O fracasso na organização de debates conjuntos, após a tentativa frustrada de articulação pelo diretor Leandro Cipoloni, do SBT, ilustra como a falta de entendimento entre as emissoras prejudica o próprio setor.
Impactos financeiros e mudanças no mercado O cenário econômico também impõe desafios severos, especialmente com a regulamentação das bets. Com a retirada desse investimento do orçamento, canais como a Band enfrentam dificuldades para ajustar suas grades esportivas, como o Jogo Aberto e Os Donos da Bola. “Não tem como fazer omelete sem quebrar o ovo”, diz o ditado, e as TVs agora precisam encontrar alternativas rápidas para suprir a lacuna financeira deixada pelas apostas esportivas.
Movimentações nos bastidores No âmbito corporativo, o Grupo Globo passa por uma transição importante. Marcelo Bechara deixa a diretoria de Relações Internacionais para assumir a vice-presidência institucional do Itaú. Referência em legislação de radiodifusão, Bechara era cotado para suceder Paulo Tonet Camargo na vice-presidência de Relações Institucionais da emissora.
Além disso, o mercado celebra a confirmação da transmissão da Libertadores da América para o próximo ano, um alívio tanto para a Paramount quanto para o SporTV, que buscava fortalecer seu catálogo esportivo. Paralelamente, a Globo já prepara o terreno para promover o Mundial Feminino de 2027, apostando em um time de jornalistas e artistas para impulsionar o evento.
Notas rápidas O mercado televisivo segue agitado com os preparativos para o próximo Big Brother, que promete um número recorde de ex-participantes. Enquanto isso, a Globo investe na renovação de sua dramaturgia com uma nova oficina de autores. Por outro lado, atores de novelas verticais cobram mais visibilidade para seus projetos, que muitas vezes passam despercebidos pelo público devido à falha na divulgação. Para fechar, Erika Januza segue firme nas filmagens da sexta temporada de Arcanjo Renegado.








