O líder da oposição em Israel, Gadi Eisenkot, garantiu na quinta-feira, 5, respaldo parlamentar suficiente para suceder o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O avanço ocorreu após o apoio decisivo das legendas árabes, permitindo que Eisenkot alcançasse 67 indicações na Knesset, enquanto Netanyahu somou 46 apoios e houve 7 abstenções.
Negociações e resistência presidencial
Embora tenha superado a marca necessária de 61 assentos nas 120 cadeiras do Parlamento, o presidente Isaac Herzog adotou cautela antes de definir quem liderará as tratativas para a nova gestão. Herzog anunciará sua deliberação no domingo, após novas conversas com os líderes partidários.
“Os resultados das consultas parecem claros. Mas a autoridade que me foi concedida por lei é a de determinar quem tem a capacidade de formar um governo, e isso não está totalmente claro à luz dos vetos mútuos entre os blocos e dentro dos próprios blocos.”
De acordo com a imprensa israelense, o presidente articula nos bastidores a criação de um gabinete de unidade nacional formado exclusivamente por siglas judaicas sionistas, o que deixaria de fora tanto os partidos árabes quanto os ultraortodoxos.
Apoio árabe e racha na base governista
A Lista Unida, principal partido árabe do país, oficializou seu respaldo a Eisenkot na quinta-feira para frear o atual premiê. “A decisão atende à demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu ao poder”, explicou o partido em um comunicado. O movimento Ra’am também declarou suporte ao oposicionista.
“Estendemos a mão para apoiar os esforços de Eisenkot e faremos o possível para afastar Netanyahu do poder”, declarou o líder do Ra’am, Mansur Abbas, após se reunir com o presidente israelense
Paralelamente, o partido Judaísmo Unido da Torá, aliado de Netanyahu por três décadas, decidiu se abster devido a divergências sobre o alistamento militar de estudantes religiosos, enfraquecendo as chances do atual primeiro-ministro.
Pressão política e críticas da oposição
O partido Yashar cobrou publicamente a indicação de Eisenkot, que preside a legenda, ressaltando que o volume de recomendações é o maior registrado desde 2015. Em nota repercutida pelo Times of Israel, a sigla pontuou que o cenário evidencia a busca da população por renovação.
“Binyamin Netanyahu é um primeiro-ministro interino liderando uma minoria de apenas 46 cadeiras”, afirma o partido. “Ele não tem mandato, não tem maioria e não goza da confiança do público.”
Desafios para a governabilidade
Apesar da vantagem numérica no papel, o bloco oposicionista enfrenta barreiras internas em relação à inclusão de siglas árabes, que representam cerca de 20% da população israelense. O contexto de segurança pós-ataques de 7 de outubro de 2023 torna alianças formais politicamente sensíveis para parte do eleitorado judaico.
Como alternativa, discute-se um governo minoritário sustentado de forma indireta pelos deputados árabes, embora essa alternativa seja rechaçada pelo nacionalista Avigdor Liberman. Enquanto isso, Netanyahu tenta explorar essas divisões ao intensificar retóricas contra os partidos árabes.








