As eleições de meio de mandato realizadas na última terça-feira (3) nos Estados Unidos resultaram na conquista da maioria do Congresso pelos democratas e em triunfos expressivos em governos estaduais, refletindo uma forte rejeição à agenda de Donald Trump.
Recorde histórico na votação antecipada
O processo eleitoral norte-americano combina votação presencial nas urnas e envio antecipado de cédulas pelo correio. Segundo o ‘Election Lab’ da Universidade da Flórida, o total de votos ainda não foi totalmente contabilizado, mas os cidadãos enviaram mais de 61,7 milhões de cédulas antes da terça-feira.
Esse volume representou um recorde para o formato em pleitos de meio de mandato, beneficiando diretamente os democratas, que tradicionalmente utilizam mais essa modalidade em comparação aos republicanos. Dados da Rádio Pública Nacional apontam que houve alta participação de jovens, afro-americanos e outros grupos que comumente apoiam candidatos democratas, impulsionando a onda que garantiu o controle das duas câmaras do Legislativo.
Investimentos bilionários e arrecadação de campanha
Os gastos totais de campanha atingiram a marca inédita de US$ 11,9 bilhões, superando os US$ 8,9 bilhões registrados em 2022, conforme dados da OpenSecrets, organização apartidária que monitora os custos da política no país. Os investimentos externos liderados por Elon Musk, apontado como o homem mais rico do mundo e aliado de Donald Trump, injetaram cerca de 360 milhões de dólares para favorecer os republicanos.
Apesar disso, os candidatos democratas demonstraram grande capacidade de captação própria. Na disputa para a Câmara dos Representantes e o Senado, os recursos de fundos de campanha somaram 3,7 bilhões de dólares, com os democratas superando os rivais republicanos em 800 milhões de dólares. No Texas, o candidato ao Senado James Talarico quebrou recordes ao arrecadar 145 milhões de dólares, deixando muito atrás os 22 milhões de dólares levantados pelo republicano Ken Paxton, que precisou recorrer ao apoio de comitês externos.
Vitórias históricas em redutos conservadores
O cenário político de estados tradicionalmente conservadores sofreu reviravoltas inéditas. No Kansas, que não elegia um democrata para o Senado há 94 anos, Adam Hamilton derrotou o republicano Roger Marshall. Hamilton, pastor metodista que era registrado como republicano há poucos meses, tornou-se o primeiro nome do partido a vencer uma disputa senatorial no estado predominantemente rural desde 1932.
O Texas também registrou uma guinada histórica ao votar pela vitória esmagadora de Talarico para o Senado, algo que não ocorria desde 1988, ano anterior ao nascimento do político. O revés duplo para os republicanos incluiu a derrota do governador Greg Abbott, que estava no cargo desde 2015, para a democrata de ascendência mexicana Gina Hinojosa. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu a senadora Darline Graham — nomeada no início do ano para ocupar a vaga de seu falecido irmão, Lindsey Graham —, encerrando um jejum de vitórias democratas no estado que durava desde 1998.
Afastamento de jovens e eleitores latinos
Segmentos cruciais para a ascensão de Donald Trump, os eleitores latinos e os jovens se distanciaram de forma drástica do presidente e do Partido Republicano, conforme apontado pelas pesquisas de boca de urna. Os hispânicos haviam sido fundamentais na vitória de Trump em 2016 e influenciado seu triunfo em 2024, quando apoiaram Kamala Harris por margem estreita de 51% a 48%, segundo o Pew Research.
Contudo, insatisfações manifestadas nas semanas anteriores culminaram nos dados da NBC News na terça-feira, mostrando que os latinos apoiaram candidatos democratas por 62% a 35%. O distanciamento também ocorreu entre os jovens de 18 a 29 anos, que votaram nos democratas por uma margem de 72% contra 25%, marcando uma mudança drástica em relação ao pleito presidencial anterior, quando o eleitorado jovem esteve dividido.








