O mercado financeiro aponta, de forma majoritária, para o encerramento do ciclo de reduções na taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. A definição ocorre no encerramento da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (4/11), com a expectativa de que o índice permaneça estagnado em 13,75% ao ano.
Fatores internos e externos na economia A projeção de estabilidade nos juros reflete a percepção de uma deterioração no ambiente macroeconômico global e doméstico. No cenário interno, observa-se uma aceleração na inflação — sobretudo no setor de alimentos — acompanhada por um mercado de trabalho ainda bastante aquecido.
Enquanto isso, no exterior, as cotações do dólar e do petróleo seguem em trajetória ascendente, ao passo que os Estados Unidos mantiveram os juros inalterados e registraram desaceleração econômica. As estimativas oficiais consolidadas no Boletim Focus pelo Banco Central (BC) colocam a inflação em 5,22% para este ano e 4,6% para o próximo, patamares superiores ao teto da meta, que é de 4,5% (sendo o centro estipulado em 3%).
Indicadores de inflação e atividade econômica A prévia oficial da inflação no país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), registrou alta de 0,32% em outubro, acumulando um avanço de 4,62% em um período de 12 meses, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal vetor dessa alta foi o grupo de alimentação e bebidas, que subiu 0,88%, com destaque para a alimentação no domicílio, disparando 1,01%.
Em paralelo, o desemprego no trimestre encerrado em setembro alcançou o patamar recorde de baixa para o período, atingindo 5,2%. Por outro lado, o ritmo da economia mostra sinais de arrefecimento: o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado o termômetro prévio do Produto Interno Bruto (PIB), teve queda de 0,6% no trimestre fechado em agosto.
O papel do Copom e a projeção dos analistas A principal ferramenta utilizada para conter a inflação é a taxa Selic, gerida pelo Copom com o objetivo de regular o avanço dos preços. Elevações nos juros encarecem o crédito e desaquecem o consumo e os investimentos, o que resulta na contenção dos preços. O calendário de encontros do comitê ainda prevê uma última rodada para os dias 8 e 9 de dezembro de 2026.
Nas negociações da B3 na semana anterior ao encontro, as Opções de Copom apontavam uma probabilidade implícita de 63,1% para a manutenção da taxa. O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, corrobora essa visão ao destacar tanto os problemas internos quanto o impacto externo da alta cambial e do petróleo, que fechou cotado a R$ 5,48 em 3 de novembro.
“Os preços do petróleo registraram elevação desde a última reunião (do Copom em setembro). Considerando as sensibilidades dos modelos do Banco Central, acreditamos que as projeções de inflação para o horizonte relevante devem subir e ficar acima da meta”, diz Salles.
Por sua vez, o sócio e chefe de alocação de investimentos da AW Capital, Gabriel Magno, também avalia que a conjuntura atual forçará os dirigentes do BC a interromperem a sequência de cinco reduções consecutivas.
“Acredito que não haverá um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. A expectativa que existia antes do segundo turno se perdeu após o caos do dia 26 de outubro. Como as expectativas mudaram, o mercado embutiu no juro futuro o que acredita que o banco central irá fazer e, pelo o que posso ler, acredito que ele irá manter a taxa de juros no patamar atual”, assinala Magno.
Em contraponto, relatório publicado pelo Banco Daycoval na última terça-feira já avaliava os impactos do segundo turno e apontava espaço para uma nova redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 13,5% ao ano.
“A despeito da deterioração dos preços dos ativos pós-resultado eleitoral, o comitê não deve colher alteração relevante em suas projeções de inflação e, sob um quadro de contínua desaceleração da atividade, deve realizar mais um corte de juros”, diz trecho do documento.
O desfecho da reunião do Copom, iniciada na terça-feira (3/11) e finalizada nesta quarta, será divulgado oficialmente após as 17h.








