Cientistas descobriram que um medicamento experimental é capaz de reverter sinais de envelhecimento em células hepáticas e reduzir pela metade a presença da proteína beta-amiloide na corrente sanguínea. Os resultados, publicados no Journal of Biological Chemistry, indicam que o tratamento com cinaciguat também normalizou os níveis de colesterol LDL em modelos animais após apenas duas semanas de administração.
A restauração das funções hepáticas
A pesquisa, realizada pela Escola de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia (USC), focou no impacto do envelhecimento sobre a eficiência do fígado em filtrar substâncias do sangue. O foco foram as células endoteliais sinusoidais hepáticas, que possuem poros microscópicos essenciais para a passagem de moléculas até os hepatócitos. Com a idade, essas aberturas tendem a se fechar ou desaparecer, comprometendo a filtragem. O uso do cinaciguat reverteu esse processo, restaurando a capacidade de filtragem a patamares observados em animais jovens.
Foco no fígado para proteger o cérebro
A redução da beta-amiloide é um achado promissor, dado que essa proteína forma as placas características do Alzheimer no cérebro. Embora a diminuição no sangue não garanta a eliminação das placas cerebrais, a estratégia de tratar o fígado contorna desafios biológicos significativos. “Em vez de tentar levar um medicamento através da barreira hematoencefálica, o que é extremamente difícil, poderíamos direcioná-lo ao fígado”, afirmou Sam de Leve, primeiro autor do estudo, em comunicado.
Mecanismo de comunicação celular
Além da beta-amiloide, o tratamento impactou positivamente o controle do colesterol. Os pesquisadores identificaram que o medicamento recuperou um sinal químico entre as células hepáticas. Ao ativar uma enzima específica, as células endoteliais passaram a liberar a substância HB-EGF, que estimula os hepatócitos a removerem com mais eficácia tanto o colesterol LDL quanto a proteína beta-amiloide da circulação.
Próximos passos da pesquisa
Apesar do entusiasmo com os dados preliminares, o cinaciguat permanece em estágio experimental e não possui aprovação clínica para tratar doenças humanas. O próximo passo da equipe será verificar se a redução da proteína no sangue confere proteção efetiva contra as alterações cerebrais associadas ao Alzheimer. A ciência agora busca validar se o fígado pode, de fato, atuar como um aliado estratégico na prevenção de condições neurodegenerativas.








