Um político derrotado nas eleições para deputado federal em Goiás decidiu oferecer uma recompensa milionária para tentar provar que as urnas eletrônicas podem ser manipuladas por software.
Campanha cara e votação inexpressiva
Felipe Cecílio investiu R$ 1,5 milhão em sua candidatura pelo PSDB, mas obteve apenas 3.746 votos no estado. O valor contrasta fortemente com o resultado obtido nas urnas, o que motivou a iniciativa de buscar explicações para o desempenho abaixo do esperado, apesar de não apresentar nenhum indício de irregularidade.
Herdeiro de duas tradicionais famílias políticas locais — neto do ex-deputado federal e ex-prefeito de Anápolis Jamel Cecílio e do ex-deputado federal constitucionalista e ex-senador Mauro Miranda —, o candidato de 26 anos já havia chamado a atenção da opinião pública anteriormente por causa de uma variação expressiva em sua declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Evolução patrimonial e histórico político
Há quatro anos, o patrimônio declarado era de R$ 20 mil. Para o pleito atual, o valor informado saltou para R$ 86 milhões, incluindo uma empresa avaliada em R$ 55 milhões criada meses antes e sem registros operacionais, além de um investimento milionário.
Em sua trajetória nas urnas, tentou uma vaga na Câmara dos Federais em 2022 pelo MDB, alcançando 14 mil votos e ficando como segundo suplente. Na ocasião, citava como bagagem a participação em uma disputa de centro acadêmico. Posteriormente, ensaiou uma pré-candidatura à Prefeitura de Goiânia e, no pleito recente, obteve cerca de 800 votos na capital.
A oferta de recompensa financeira
Diante do resultado, o político passou a usar as redes sociais para divulgar uma bonificação em dinheiro a quem demonstrar falhas no sistema de votação.
“No primeiro turno sinceramente não sei como um candidato tão fraco igual o Flávio teve quase 50% dos votos válidos, mas o fato é que ele teve, e a partir daí precisa seguir um padrão, uma lógica. E essa lógica não foi seguida no segundo turno”, argumenta em gravação publicada na internet.
O valor inicialmente prometido era de R$ 1 milhão, mas a quantia foi dobrada por seu escritório pessoal. A recompensa é direcionada “ao programador que apresentar informações concretas, consistentes e verificáveis, sobre a existência e o eventual uso de um software para manipular os resultados do segundo turno das eleições presidenciais”.
Novas polêmicas e ausência de respostas
Os dados devem ser encaminhados diretamente ao aplicativo de mensagens do próprio postulante, que não respondeu aos contatos da reportagem para comentar o assunto.
Desde o lançamento da proposta de pagamento, novas histórias surgiram em suas redes sociais, como a alegação de que seguranças teriam interceptado observadores suspeitos próximos a uma base de operações em solo paulista, embora não haja clareza sobre suas atividades profissionais atuais.








