Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (2/11) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que 189 jornalistas foram mortos no mundo entre 2024 e 2025, marcando o índice mais alto registrado pela entidade em dez anos.
Impacto das zonas de guerra
O Relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade destaca que as áreas de conflito concentraram 127 mortes, o equivalente a 67% do total, representando um crescimento de 24% em relação ao biênio 2022/2023.
Nesse cenário, 50 profissionais faleceram atingidos por drones. Além disso, sedes de veículos de comunicação tornaram-se alvos, resultando na morte de pelo menos 36 trabalhadores, incluindo um único episódio que vitimou nove comunicadores simultaneamente.
O documento aponta ainda que, em pelo menos 15 situações, há indícios de que os profissionais foram atingidos mesmo vestindo coletes ou utilizando veículos identificados com a marca da imprensa.
Violência fora dos confrontos e perfil das vítimas
Fora dos cenários de guerra, 61 profissionais de imprensa perderam a vida no mesmo biênio. Desse total, 17 morreram no ambiente de trabalho, 33 em veículos e 20 em suas residências, algumas vezes na companhia de familiares. O estudo também contabilizou quatro mortes em atentados terroristas e sete durante protestos.
Em relação à cobertura jornalística no momento dos crimes, 104 vítimas noticiavam conflitos armados, 38 cobriam política, 22 reportavam atividades criminosas e outros investigavam casos de corrupção. Sobre a faixa etária, cinco vítimas tinham entre 15 e 24 anos e 20 possuíam de 25 a 29 anos. As mulheres representaram 7% do total, com 14 óbitos, sendo 13 deles em regiões de conflito.
Panorama global e o caso brasileiro
A Palestina liderou o ranking mundial de violência contra a imprensa com 62 mortes, correspondendo a um terço do índice global do período.
No Brasil, o documento registrou o assassinato do radialista Luís Augusto Carneiro da Costa, o “Luisinho Costa”, ocorrido em maio de 2025 dentro da Rádio Guarany, em Abaetetuba (PA). A Polícia Civil do Pará concluiu o inquérito e enviou o caso à Justiça com quatro indiciados.
Por fim, o levantamento alerta para o alto índice de impunidade: desde 2006, 1.641 jornalistas foram assassinados globalmente, mas apenas 223 casos foram solucionados pela Justiça, o que representa 14% do total.








