O recente pleito legislativo em Israel encerrou-se sem a definição de uma maioria absoluta, mergulhando o país em um impasse político. Para os palestinos, tanto na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia, o resultado não traz expectativas de melhoria em suas condições de vida ou um fim para a escalada de violência.
Ceticismo em Gaza e na Cisjordânia
A percepção de que a política israelense seguirá o mesmo curso é compartilhada por diversas vozes. Em Khan Yunis, Huda Al Huli expressou sua preocupação com o futuro da região devastada. “Tememos que essas eleições deem lugar a uma política ainda pior”, que se traduza “em mais destruição para Gaza”, declarou à AFP. Ela ainda reforçou a necessidade de uma mudança de postura interna: “É imperativo que uma voz mais humana se levante dentro da sociedade israelense para exigir o fim desta guerra, qualquer que seja o resultado das eleições”, afirmou.
Na Cisjordânia, o sentimento de descrença é similar. Ahmed Awad, de 67 anos, aponta que o enraizamento da direita no país inviabiliza transformações profundas. “Quaisquer que sejam os resultados das eleições, e mesmo que mudem os protagonistas, não creio que aconteça uma mudança radical ou espetacular nas políticas relacionadas com o conflito israelense-palestino”, disse.
O futuro das coalizões
Com 85% dos votos apurados, o bloco de Benjamin Netanyahu lidera, mas sem garantir o controle do governo. O cenário coloca em xeque a sobrevivência política do premiê, que pode buscar uma nova aliança com a extrema direita ou enfrentar um período de estagnação. A manutenção da coalizão atual poderia fortalecer figuras como Itamar Ben Gvir, que defende políticas agressivas, incluindo a expulsão de populações palestinas.
Especialistas como Beth Oppenheim, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, observam que, embora uma alternativa de centro-direita liderada por Gadi Eisenkot pudesse reduzir a influência radical, não haveria “nada revolucionário” a esperar e “certamente não uma mudança de paradigma no que diz respeito à criação de um Estado palestino e ao processo de paz”.
Riscos de agravamento da crise
A análise de Yousef Munayyer, do Arab Center Washington, sugere que a situação pode ser crítica independentemente de quem assuma o comando. Para ele, as “preocupações (…) estão plenamente justificadas”. A fragilidade de um possível novo governo poderia levar a uma demonstração de força ainda maior para evitar ataques da ala conservadora. Paralelamente, na Cisjordânia, a saída da extrema direita do poder poderia, paradoxalmente, elevar a violência dos colonos contra o novo Executivo.
Para muitos, como Adnan al Asar, a realidade permanece inalterada: “todos atuam seguindo uma mesma política, voltada contra o povo palestino”.








