A Espanha decretou nesta quinta-feira (29) um período oficial de luto de três dias pelas 69 vítimas fatais do grave acidente ferroviário ocorrido na véspera. Equipes de salvamento prosseguem com as buscas por corpos e sobreviventes entre os escombros da colisão, marcando o segundo grande desastre nos trilhos do país europeu em 2026.
Detalhes do desastre e resgate
O impacto aconteceu a aproximadamente 150 quilômetros ao sul de Madri. Na ocasião, uma composição da estatal Renfe, que seguia da capital rumo a Sevilha, bateu violentamente contra um trem da empresa Iryo que estava parado na via férrea.
“Foi uma pancada muito forte, durou muito tempo”, relatou Pablo Mejía, de 42 anos, que escapou da morte após trocar de assento para um vagão mais confortável. “Acho que nasci de novo”, declarou o passageiro, que sofreu ferimentos faciais e teve o casaco coberto de sangue.
Trabalho das autoridades e apoio
Operações de busca contam com o auxílio de dois guindastes para remover a estrutura retorcida. Cães farejadores da Guarda Civil também vasculham o perímetro em busca de vestígios biológicos.
O balanço oficial divulgado pelas autoridades de Castilla-La Mancha aponta 69 óbitos e cerca de 50 feridos hospitalizados. Paralelamente, o primeiro-ministro Pedro Sánchez prometeu rigor na apuração dos fatos após reunir o comitê de emergências.
Os reis Felipe VI e Letizia têm visita programada a um hospital em Toledo para prestar solidariedade aos internados. Enquanto isso, o município de Urda transformou uma escola em ponto de acolhimento para os parentes dos afetados.
Causas e investigações
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, informou que o choque ocorreu às 8h53 locais. Dados preliminares apontam que uma pane informática interrompeu a circulação de seis composições em um trecho de 69 quilômetros por volta das 8h30.
Contudo, o trem da Renfe acabou retomando o trajeto sem respeitar os limites de velocidade recomendados, percorrendo quase 25 quilômetros antes de atingir a traseira da unidade da Iryo.
A tragédia acirra o debate político na Espanha a exato um mês das eleições gerais antecipadas, marcadas para 29 de novembro, pressionando ainda mais a gestão de Sánchez no setor de infraestrutura e transportes.








