A renomada atriz Barbara Barrie faleceu nesta quarta-feira (28), aos 95 anos, em sua residência localizada em Manhattan, nos Estados Unidos. Conforme a confirmação de sua filha, Jane Harnick, a artista optou pela morte medicamente assistida depois de receber o diagnóstico de um câncer terminal.
Trajetória de sucesso nos palcos e telas Com uma carreira de muitas décadas, Barbara acumulou importantes atuações na televisão, no teatro e no cinema. Na Broadway, ela obteve uma indicação ao prêmio Tony por sua performance na montagem original do musical “Company”, obra de Stephen Sondheim. Nas telonas, destacou-se ao receber uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo drama “Breaking Away”, lançado em 1979. Na televisão, ganhou notoriedade por suas participações em produções populares como as séries “Barney Miller” e “Suddenly Susan”.
Origens e início da carreira artística Nascida sob o nome de Barbara Berman em Chicago, no ano de 1931, a atriz passou a infância em Corpus Christi, no Texas. Inicialmente, ela ingressou no curso de jornalismo no Del Mar College, mas logo percebeu sua verdadeira vocação para a interpretação. Mais tarde, transferiu-se para a Universidade do Texas, onde conquistou diversos prêmios estudantis de teatro. Logo após a formatura, mudou-se para Nova York com o objetivo de consolidar sua carreira profissional.
Primeiros passos no teatro e na televisão Sua estreia nos palcos da Broadway ocorreu em 1955 com a peça “The Wooden Dish”, enquanto sua primeira aparição cinematográfica aconteceu no ano seguinte no filme “Giant”. Durante as décadas de 1950 e 1960, a artista participou de inúmeros projetos televisivos de destaque, incluindo episódios de “Além da Imaginação” (The Twilight Zone), “O Fugitivo” e “Dr. Kildare”.
Consagração no cinema independente Um dos momentos iniciais mais marcantes de sua trajetória cinematográfica aconteceu no longa “One Potato, Two Potato”, de 1964. No filme, ela interpretou uma mulher divorciada envolvida com um homem negro, papel de Bernie Hamilton. A produção abordou um tema sensível sobre relacionamento interracial e rendeu à atriz o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes.
“Para mim, a história do filme é, principalmente, o dilema de uma mulher. A questão racial me pareceu algo incidental”, afirmou ao The New York Times na época. Ela também destacou que seu interesse inicial pelo projeto surgiu do fascínio pelo roteiro.
Reconhecimento internacional e dedicação ao teatro O ápice de seu reconhecimento no cinema ocorreu com o drama “Breaking Away”, focado em quatro jovens recém-formados no ensino médio. O filme acumulou cinco indicações ao Oscar, incluindo a nomeação de Barbara. Além disso, ela manteve uma relação sólida com o teatro ao longo dos anos, participando inclusive de uma remontagem de “Um Violinista no Telhado” (Fiddler on the Roof) na Broadway em 2004.
Batalha contra o câncer e ativismo Diagnosticada com câncer retal em 1994, a artista inicialmente desconhecia a incidência da enfermidade em sua árvore genealógica. Anos mais tarde, em 1997, ela relatou ao South Florida Sun Sentinel que soube da predisposição genética após contato de parentes.
“Meus primos me ligaram e perguntaram: ‘Você não sabia que essa doença está presente na nossa família há três gerações?’. Não, eu não sabia que tínhamos esse histórico porque, naquela época, as pessoas não falavam sobre reto ou câncer”, relembrou.
Legado literário e conscientização A partir desse episódio, Barbara dedicou parte de sua vida a promover a conscientização pública a respeito do câncer retal e de cólon. Ela registrou sua experiência pessoal em duas obras publicadas: “Second Act”, em 1997, e “Don’t Die of Embarrassment”, lançado em 1999. “Acho que, se eu conseguir divulgar informações sobre isso, esse será o meu legado”, afirmou à publicação.
A artista deixa dois filhos, Jane e Aaron, marcando o fim de uma era para o entretenimento americano.








