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Deputadas denunciam ameaça de envenenamento e violência contra indígenas

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Deputadas denunciam ameaça de envenenamento e violência contra indígenas
Brasil

Deputadas denunciam ameaça de envenenamento e violência contra indígenas

Parlamentar acionou ministérios, MPF e TSE após áudios com ataques a Guarani Kaiowá em Tacuru. Apib relata onda de violência e racismo

Álvaro Luiz, Madu Toledo
28/10/2026 15:45
Reprodução/Redes sociais

As deputada federais Sônia Guajajara (PSol-SP) e Célia Xakriabá (PSol-MG) protocolaram um ofício em caráter de urgência para cobrar investigação sobre ameaças de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul.

Após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no domingo (25/10), foram registradas diversas denúncias de violência política, ameaças e agressões contra povos indígenas no MS e em outras regiões do país.

O documento foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao Ministério dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No pedido, as parlamentares solicitam apuração dos fatos, identificação dos envolvidos e medidas imediatas de proteção às comunidades.

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Em publicação nas redes sociais, Célia afirmou que é preciso resposta rápida do Estado. “Precisamos de respostas urgentes, proteção aos povos Guarani Kaiowá e responsabilização dos envolvidos”, escreveu.

Confira:

 

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Entenda o caso

  • A denúncia envolve áudios que circularam em grupos de WhatsApp. Em uma das gravações atribuída a um servidor de Tacuru, um homem diz: “Tem que ponhar veneno na água, tem que matar essas pragas na água”. O conteúdo foi divulgado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
  • No post, a parlamentar lembrou que os Guarani Kaiowá já enfrentam dificuldade histórica de acesso à água potável e dependem, em muitos casos, de caminhões-pipa. Contaminar esse recurso, segundo ela, coloca em risco direto a vida da população.
  • A Prefeitura de Tacuru informou que afastou temporariamente o servidor citado e abriu Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o caso.

Onda de denúncias no estado

O caso de Tacuru, porém, não é isolado. Segundo a Apib, há uma escalada de violência política contra povos indígenas no estado após o segundo turno.

Entre os relatos estão assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia e ameaças de envenenamento da água em Tacuru e Nioaque.

Indígenas Terena também denunciaram racismo e intimidação dentro das aldeias. De acordo com a entidade, houve barreiras para votar em colégios eleitorais localizados nas próprias reservas e uso de termos racistas como “bugres” para se referir aos povos originários.

Em outro áudio incluído nas denúncias, um homem sugere cortar serviços básicos como retaliação: “mandar fechar a porteira para não sair mais para a cidade, porque índio é só no mato. E cortar luz, cortar água”.

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Diante da gravidade, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial criaram uma força-tarefa para apurar as denúncias. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que acionou a Polícia Federal (PF) ainda na segunda-feira (26/10).

O governo federal informou que monitora também relatos de violência contra quilombolas e povos de terreiro após o resultado eleitoral. A PF foi acionada para investigar os casos e, até o momento, não há confirmação de mortes relacionadas à violência política por parte da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MS.

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