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Mulher vence dois cânceres de mama e cobra melhorias no SUS

Teóloga enfrentou tumores em 2017 e 2024, perdeu dois filhos e hoje defende políticas públicas mais ágeis para pacientes.

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"Merecemos viver com dignidade", diz mulher que superou 2 cânceres de mama

A trajetória de superação da teóloga e psicanalista Fátima Rocha, de 63 anos, é marcada por desafios emocionais e físicos após vencer duas batalhas contra o câncer de mama em um intervalo de sete anos.

Diagnóstico duplo e tratamento rigoroso O primeiro tumor foi descoberto em junho de 2017, aos 56 anos, na mama esquerda, por meio de um exame de toque. Após um tratamento bem-sucedido na rede privada, a paciente enfrentou o retorno da doença em 2024, desta vez na mama direita e de forma muito mais agressiva, crescendo 2 centímetros em menos de um mês.

“Foi um ano e quatro meses de tratamento. Após a biópsia, em agosto de 2024, tive a oportunidade de realizar o tratamento em tempo hábil, depois de 17 dias do diagnóstico. Nesse período fiz quatro cirurgias: duas de masectomia, outras duas em decorrência de complicações, e a última de reconstrução mamária com a colocação da prótese”, diz.

Os impactos físicos e a espera na rede pública Durante a segunda batalha, iniciada no plano de saúde e concluída no Sistema Único de Saúde (SUS), Fátima relatou que a espera pelos procedimentos foi angustiante. Além disso, os efeitos colaterais dos medicamentos e a queda dos fios trouxeram momentos de profunda angústia.

“Ter que raspar o cabelo é terrível. Sou vaidosa, amo escovar os cabelos, então foi algo extremamente difícil”, contou Fátima.

Ela também destacou a dedicação dos profissionais da saúde, mas criticou a falta de estrutura e a demora no atendimento público:

“Os profissionais são incríveis e trabalham com o que tem, que posso garantir é muito pouco. Se eu dependesse totalmente do SUS acredito que não estaria aqui, devido a demora”.

Luto e rede de apoio O enfrentamento da doença ocorreu em meio a um período de profundas perdas familiares. Em poucos anos, a psicanalista perdeu dois filhos e duas irmãs, também vítimas de neoplasias. Para suportar as adversidades, a fé e o suporte de amigos e familiares foram essenciais.

“Sofremos muitas perdas. Em 2020 perdi um filho, aos 33 anos. Em 2021 perdi outro filho, de 24 anos, apenas 11 meses de diferença. Foi muito difícil. Em 2023 perdi duas irmãs, também de câncer, então imagine a nossa situação. Mas em dado momento foi necessário falar sobre a doença e eu fui sincera. Sabíamos que seria uma jornada difícil, mas em nenhum momento pensamos em desistir”, relata emocionada.

Cobrança por políticas públicas e mensagem de esperança Atualmente dedicada a hábitos de vida mais saudáveis e focada em sua recuperação, Fátima levanta a bandeira por um atendimento oncológico mais humanizado e célere para todas as mulheres que dependem da rede pública.

“São mães, tias, irmãs, são mulheres que, assim como eu, tem sonhos e merecem viver e viver com dignidade”.

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