Derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. A viagem ocorreu a poucos dias de completar uma semana do revés eleitoral, após o parlamentar descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de sair do país e determinava a entrega de seus passaportes à Polícia Federal.
Contexto político nos Estados Unidos
O desembarque do senador na Flórida coincide com um momento delicado para a administração de Donald Trump. A poucos dias das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, o governo republicano enfrenta forte queda de popularidade, inflação em alta e risco real de perder o controle da Câmara dos Representantes para os democratas.
O Departamento de Estado norte-americano confirmou a emissão de vistos para Flávio e seus familiares, permitindo a entrada no país. Contudo, a manifestação oficial não confirma a concessão de asilo político, tese levantada por aliados internacionais sem a apresentação de provas formais.
Investigações e repercussão no PL
A decisão de embarcar ocorreu logo após o ministro Alexandre de Moraes determinar que o senador entregasse seus documentos de viagem em até 24 horas. Como o prazo terminou sem o cumprimento da medida, a corporação cancelou os passaportes. Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz, embora negue irregularidades.
A saída repentina também gerou surpresa e desconforto nos bastidores do Partido Liberal. Uma reunião de emergência foi convocada em Brasília para avaliar o cenário. No início da manhã, o senador Rogério Marinho havia negado o deslocamento do colega de partido: “Não saiu”, afirmou à coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles.
Críticas às urnas brasileiras
A chegada do senador a solo norte-americano coincidiu com novos ataques de Donald Trump ao processo eleitoral brasileiro. Durante um comício no Texas, o republicano voltou a questionar a lisura do pleito que garantiu a vitória a Lula.
“Eu não tomei partido, mas não gostei… Não pareceu muito bom”, declarou Trump.
A postura do líder norte-americano adiciona tensão às relações bilaterais, em um cenário onde a oposição no Congresso dos EUA já monitora os desdobramentos da concessão de vistos a políticos estrangeiros envolvidos em disputas judiciais em seus países de origem.








