O candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, registra avanço na corrida eleitoral motivado pela fidelização de sua base e pela atração de eleitores que buscam uma alteração de rumos no país. A avaliação é do cientista político Bruno Soller, CEO da Real Time Big Data.
Cenário do segundo turno Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (23/10) aponta o parlamentar com 52% das intenções de votos válidos para o segundo turno, enquanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 48%. Os números refletem um empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
De acordo com o especialista, o crescimento do senador precisa ser lido sob a ótica de dois fenômenos distintos. “O aumento de Flávio nas pesquisas precisa ser compreendida a partir dessas duas forças: a consolidação dos eleitores que já fizeram sua escolha e a movimentação daqueles que votaram em outras candidaturas, que tem um perfil mudancista”, afirmou Bruno ao Metrópoles. O analista ressalta ainda que o desejo por transformação na administração federal não se traduz automaticamente em apoio incondicional ao bolsonarismo: “parte do eleitorado pode ter restrições a Flávio Bolsonaro e ao grupo político que ele representa, mas ainda assim desejar uma mudança de governo”.
Desafios para a campanha petista Para reverter o quadro, o cientista avalia que o chefe do Executivo precisa ampliar seu alcance para fora do eleitorado fiel e vencer a barreira da resistência à continuidade da gestão atual. “Não basta mobilizar quem já está convencido. É necessário observar se eleitores insatisfeitos com o governo, mas resistentes ao bolsonarismo, podem reconsiderar suas escolhas”, afirmou.
Outro ponto crítico levantado pelo CEO da empresa de pesquisas é o impacto da abstenção registrada no primeiro pleito do mês. Na visão dele, há uma tendência de otimização exagerada por parte das equipes de marketing em relação ao comparecimento às urnas. “existe uma tendência de superestimar a capacidade das campanhas de levar às urnas milhões de personas que não votaram no dia 4 de outubro”, pontuou, acrescentando que “a missão de Lula é muito difícil vendo os lagos onde ele pode pescar os votos”. Embora a atuação do deputado federal André Janones (PT-MG) ajude a injetar ânimo na militância, o especialista pondera que “é muito difícil mobilizar quem não está convertido”.
Expectativas para o pleito Com a votação definitiva agendada para este domingo (25/10), o comportamento do eleitorado aponta para o fortalecimento das escolhas firmadas na etapa anterior, acompanhadas por uma transferência mais expressiva de eleitores de terceira via em direção ao candidato do PL.
“Uma certa consolidação dos votos dados no primeiro turno. Os 9 milhões de brasileiros que escolheram demais candidatos, devem migrar mais para Flávio do que para Lula. A abstenção pode ser ainda maior, em função da desmobilização de 21 estados que não terão corridas para o governo do estado, além de uma rejeição elevada aos dois candidatos”, concluiu o cientista Bruno.








