O desembargador Newton Ramos, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), tem acionado interlocutores dos meios jurídicos e políticos em busca de suporte institucional. O magistrado afirma que ele e a esposa, a advogada Camilla Ramos, estão recorrendo a remédios controlados para conseguir dormir desde que a proximidade do casal com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, se tornou pública.
Investigação sigilosa e honorários de R$ 427 milhões
A repercussão do caso motivou a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a instaurar uma apuração disciplinar para examinar a postura de Ramos. O procedimento tramita sob segredo de Justiça.
No centro do escrutínio está um acordo de prestação de serviços jurídicos celebrado entre o Banco Master e a banca de Camilla Ramos. O acerto previa o pagamento de até R$ 427 milhões em honorários, caso houvesse o destravamento de cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse direto da instituição financeira.
A ligação com a “Turma do KN”
Trocas de mensagens revelaram que o desembargador e a advogada eram tratados como membros da “turma do KN” — uma alusão direta ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em conversas pelo aplicativo WhatsApp, Newton e Camilla chegaram a comemorar o posicionamento de Nunes Marques em um julgamento favorável aos interesses de Vorcaro.
O ministro do STF não contesta a existência da relação com o desembargador do TRF-1 e tampouco nega que a sigla KN faça referência às suas iniciais.
Morde e assopra: regalias e desdobramentos políticos
Os registros apontam que o dono do Banco Master bancou despesas de alto padrão para o grupo, incluindo diárias para Nunes Marques no Hotel Fasano, uma acompanhante de luxo e a locação de uma mansão no Rio de Janeiro destinada a abrigar a “Turma do KN” no Desfile das Campeãs do Carnaval de 2024.
Diante do teor das revelações e das menções explícitas ao integrante da Suprema Corte, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou as instâncias competentes para solicitar a abertura formal de investigações sobre a conduta de Kassio Nunes Marques.








