A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) iniciou uma reformulação em sua estratégia para os dez dias finais do segundo turno, impulsionada pela queda na vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por reveses sofridos no Congresso Nacional.
A disputa acirrada nas urnas O cenário eleitoral sofreu alterações recentes, com o Datafolha indicando Flávio com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula, configurando um empate técnico. Na medição anterior, a distância era de quatro pontos percentuais para o candidato do PL. Diante disso, a equipe oposicionista busca novas frentes para retomar o protagonismo na corrida ao Palácio do Planalto.
Desafios legislativos e a escala de trabalho Entre os obstáculos enfrentados pelo grupo político de Flávio está a aprovação da PEC que extingue a escala 6×1, pauta associada à campanha governista. Após criticar inicialmente o tema como oportunista, o senador votou remotamente a favor da proposta enquanto cumpria agenda em Porto Alegre, movimento motivado pelo forte apelo popular da medida. Aliados agora discutem mecanismos para que o governo compense os custos empresariais decorrentes da mudança na jornada.
Impasse na segurança pública e debate com o Centrão Na pauta de segurança, a tentativa de anexar a redução da maioridade penal à PEC da Segurança Pública gerou forte atrito institucional. O texto acabou retirado da pauta por Davi Alcolumbre, resultando em embates verbais no plenário.
Sobre a atuação do presidente do Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), fez duras críticas à condução dos trabalhos: “Nós só podemos fazer uma avaliação. O presidente Davi, a serviço do governo, abrindo mão da sua posição de magistrado, mais uma vez fica de costas para a sociedade”, declarou.
Marinho também utilizou uma comparação histórica ao criticar o parlamentar: “Não tenha dúvida, a fala do presidente Davi foi, parafraseando o Luís XIV, ‘O Estado sou eu’, né?”, acrescentou.
Em contrapartida, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), rebateu as acusações e pontuou a postura da base governista: “Nós não vamos ceder a esta chantagem da oposição”, afirmou.
Apesar de partidos como União Brasil, PP e Republicanos terem declarado apoio a Flávio no segundo turno, o Centrão manteve o alinhamento em torno de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara em 2027, frustrando planos do PL de lançar candidatura própria.
Foco na economia e próximos passos Para tentar recuperar terreno, a campanha planeja focar nos impactos fiscais das medidas econômicas recentes do governo, como o reajuste do Bolsa Família e a proposta de passe livre nos transportes aos fins de semana. Além disso, a equipe aposta em mobilizações de rua e na participação no debate televisivo para tentar virar o jogo na reta final da disputa eleitoral.








