O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, compareceu na manhã deste sábado (7/11) à sede do Ministério Público, em Assunção, para prestar depoimento. O político está sob custódia desde a noite de sexta-feira (6/11), quando foi detido pela Polícia Nacional em sua residência, logo após o Senado paraguaio votar, de forma unânime, pela sua destituição do cargo.
Investigações sobre corrupção e fraude A prisão do ex-mandatário ocorre no contexto de um escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição que foi declarada insolvente pelo Banco Central do Paraguai (BCP) no último dia 3 de novembro. Parlamentares da oposição apresentaram denúncias formais contra Peña, apontando crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, enriquecimento ilícito e fraude administrativa. A Justiça apura indícios de abuso de confiança e outras irregularidades cometidas durante sua gestão.
Conexões com o Ueno Bank Santiago Peña, eleito em 2023 aos 47 anos, manteve participação como acionista em uma empresa vinculada ao grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. Após sua posse na presidência, a instituição financeira recebeu depósitos de órgãos públicos que totalizaram cerca de US$ 850 milhões, aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Com a dissolução do banco pelo Banco Central por falta de fundos para honrar compromissos, a crise se agravou, levando à renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo — que anteriormente presidiu a mesma instituição financeira.
O processo de impeachment Antes da decisão final dos parlamentares, Peña tentou renunciar ao mandato para, segundo ele, evitar maior instabilidade no país. Em nota, o ex-presidente afirmou: “El expresidente de la República, Santiago Peña, comparece en la sede de la Fiscalía General del Estado para prestar declaración indagatoria, asistido por su abogado defensor, Dr. Ricardo Preda.”
Apesar da tentativa de renúncia, o Congresso não aceitou o pedido, prosseguindo com o processo de impeachment que resultou na perda de sua imunidade política. Na sexta-feira (6/11), antes da votação, Peña publicou uma mensagem de despedida, na qual declarou que sua saída visava evitar danos maiores ao Paraguai, citando que sua permanência poderia acirrar a divisão e a instabilidade política.








