A Apple fez um alerta preocupante indicando que os valores dos componentes de memória devem seguir encarecendo em 2027, o que ameaça elevar os custos de fabricação de iPhones e iPads. Em teleconferência sobre o desempenho financeiro, o CEO John Ternus classificou a atual alta como inédita e admitiu que a empresa terá dificuldades para evitar impactos maiores em suas margens de lucro nos próximos trimestres.
Projeções financeiras e queda na margem
Esse sinal de alerta acendeu durante a projeção para o trimestre encerrado em dezembro, intervalo festivo fundamental para o faturamento da marca. A estimativa da companhia aponta para uma margem bruta situada entre 45% e 46%, resultado inferior aos 47,9% reportados no período prévio.
Tal índice também ficou aquém das previsões de especialistas do mercado, que estimavam uma margem próxima de 46,7%. De acordo com o diretor financeiro Kevan Parekh, o encarecimento das memórias é o principal responsável pela queda prevista.
Estratégias para conter o avanço dos custos
Durante a divulgação dos dados, Ternus pontuou que a organização já sente os reflexos da inflação desses insumos. A corporação conseguiu amenizar parte desse impacto com estoques comprados anteriormente e reduções no preço de outros componentes, além de aplicar reajustes em itens específicos do portfólio.
Como medida preventiva recente, a companhia elevou em US$ 100 (cerca de R$ 512) o valor de certas versões do iPhone 17. Além disso, a fabricante ampliou em US$ 33 bilhões (aproximadamente R$ 168,96 bilhões) seus acordos de aquisição com parceiros industriais entre junho e setembro, visando assegurar suprimentos e mitigar gargalos de memória.
Desafios na cadeia de suprimentos e balanço
Além da pressão financeira, o diretor de operações Sabih Khan ressaltou que restrições na disponibilidade de chips podem prejudicar o envio de iPads no trimestre de dezembro. Esses obstáculos ocorrem justamente quando a marca amplia sua oferta de hardwares, incluindo computadores e dispositivos residenciais inteligentes.
Apesar dos desafios, o trimestre fiscal fechado em setembro terminou com receita de US$ 114,48 bilhões (cerca de R$ 586,14 bilhões), avanço anual de 11,7%, enquanto o lucro por ação alcançou US$ 10,75. As vendas de smartphones responderam por US$ 57,58 bilhões, alta de 17,5%. Contudo, as ações recuaram 4% no pregão devido às perspectivas econômicas.
O encarecimento persistente dos componentes projeta um cenário desafiador, podendo forçar a fabricante a reavaliar sua tabela de valores e táticas fabris para blindar a rentabilidade nos próximos anos.








