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Eleições nos EUA: Midterms definem futuro do governo Trump

Votação renova todo o Congresso americano em meio à queda de popularidade e forte insatisfação popular com a economia

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Com Trump sob pressão, EUA renova Câmara e um terço do Senado

O cenário político norte-americano enfrenta fortes turbulências com a realização das eleições de meio de mandato, marcadas para a próxima terça-feira (3/11). O pleito é responsável por renovar todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, colocando em risco a frágil maioria que o partido governista mantém no Legislativo federal.

Como funcionam as eleições de meio de mandato

As chamadas midterms ocorrem a cada quatro anos, exatamente na metade do mandato presidencial nos Estados Unidos. O sistema legislativo americano determina renovações periódicas, garantindo que a Câmara seja integralmente trocada a cada dois anos, enquanto o Senado passa por substituições escalonadas em um terço de sua composição.

Para conquistar o controle da Câmara dos Representantes, que conta com deputados de mandatos bienais distribuídos conforme a população de cada estado, uma legenda precisa assegurar no mínimo 218 assentos. Já o Senado possui 100 membros com mandatos de seis anos, sendo dois representantes para cada uma das unidades federativas, sem distinção demográfica.

O processo de votação nos Estados Unidos difere do modelo brasileiro por não contar com uma autoridade eleitoral centralizada nos moldes do Tribunal Superior Eleitoral. Cada estado administra autonomamente a apuração e o estabelecimento das normas locais, permitindo também o uso de modalidades como o voto antecipado e a postagem por correio.

Pressão popular e desgaste econômico

A popularidade do presidente Donald Trump sofre forte erosão, refletida em levantamentos recentes. Dados de uma pesquisa divulgada em 19 de outubro apontam que 66% dos norte-americanos desaprovam a administração republicana, ao passo que apenas 31% avaliam positivamente o desempenho do governo.

O descontentamento da população concentra-se principalmente na condução da economia e na disparada do custo de vida. A estratégia de impor tarifas sobre produtos importados, implementada desde o retorno à Casa Branca em janeiro de 2025 com o objetivo de blindar o setor industrial interno, gerou contestações judiciais, atrito com parceiros comerciais e pressões inflacionárias.

Além das taxas comerciais, a alta nos preços dos combustíveis e os reflexos do conflito envolvendo o Irã encareceram o frete, a energia e itens básicos de consumo. Diante desse panorama adverso, a liderança do Executivo tem intensificado agendas públicas na tentativa de engajar a base partidária e blindar o domínio republicano no Congresso.

Disputa acirrada no Legislativo

Os democratas demonstram vantagem na corrida pela Câmara dos Representantes, onde os republicanos defendem uma margem mínima de 218 cadeiras contra 24 da oposição. Indicadores apontam a preferência de 47% do eleitorado por candidatos democratas, superando os 35% registrados para o bloco governista.

A batalha pelo Senado apresenta um desafio maior para a oposição, que precisa virar quatro assentos para obter a maioria, enquanto os republicanos buscam defender sua bancada atual. O redesenho de distritos eleitorais em estados como Texas e Califórnia também desempenha papel estratégico na reconfiguração do mapa político do país.

Impactos políticos para a Casa Branca

Uma eventual perda de controle da Câmara para os democratas limitará a capacidade da administração atual de aprovar novas leis, além de transferir o comando das comissões e da pauta de votações para os opositores. Isso abrirá caminhos para fiscalizações mais rigorosas e investigações sobre decisões econômicas, jurídicas e militares.

No âmbito do Senado, a troca de maioria traria implicações diretas sobre a sabatina e chancela de autoridades federais, embaixadores e juízes indicados pelo Executivo. Embora o resultado das midterms não decida a permanência de Trump na Presidência, ele tem o poder de redefinir os limites institucionais do restante do mandato, que se estende até janeiro de 2029.

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