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Crise entre Brasil e Argentina atinge ápice com fuga de Flávio

Governo vizinho é suspeito de auxiliar na saída do senador rumo aos EUA após derrota eleitoral, agravando tensão diplomática.

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Crise entre Brasil e Argentina atinge ponto máximo com fuga de Flávio

A relação diplomática entre Brasil e Argentina atingiu seu momento mais crítico após suspeitas de que o governo do país vizinho tenha facilitado a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, logo após a derrota nas eleições presidenciais brasileiras.

A articulação internacional e a saída do país

O parlamentar deixou o território nacional na semana passada, utilizando um passaporte italiano e descumprindo uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia ordenado a retenção de seus documentos de viagem devido ao risco de fuga apontado pela Polícia Federal (PF). O trajeto rumo à América do Norte incluiu passagens pela Argentina e pelo Equador, contando com o suporte logístico da Casa Branca e, supostamente, da Casa Rosada.

As investigações apontam que Santiago Caputo, um dos principais assessores do presidente argentino Javier Milei, teria articulado a operação de saída. Para o transporte, foi utilizado um jato executivo da empresa Baires Fly S.A., companhia que já figura como alvo de apurações locais em um esquema envolvendo a irmã do mandatário argentino. Diante dos indícios de interferência estrangeira, o Palácio Itamaraty convocou a ministra-conselheira Emilia Cortés, encarregada de negócios da Embaixada da Argentina em Brasília, para prestar esclarecimentos formais.

Pressão política e investigações em curso

Na Argentina, a suposta colaboração oficial gerou conflitos institucionais. A deputada Marcela Marina Pagano acionou a Justiça Federal de Puerto Iguazú para investigar se servidores públicos locais facilitaram o trânsito do político brasileiro pela província de Misiones. Segundo a parlamentar, a gestão Milei tem tentado intimidar funcionários e magistrados da região para “impedir que venham à tona as provas”. Paralelamente, o Itamaraty e o governo brasileiro monitoram o caso, enquanto o político acumula investigações na PF por crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Contexto de desgaste bilateral

O episódio coroa um período de forte deterioração entre Brasília e Buenos Aires, intensificado pelos ataques públicos desferidos por Javier Milei contra o governo brasileiro e o Judiciário. A animosidade ganhou força em julho, quando o libertário participou de atos de campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Na ocasião, o líder argentino ofendeu autoridades brasileiras, o que levou à convocação do embaixador argentino e, posteriormente, à retirada mútua dos representantes diplomáticos, rebaixando o nível das relações entre as nações.

Enquanto outros líderes regionais de direita já cumprimentaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição, Milei permanece como o único chefe de Estado sul-americano a não reconhecer o resultado do pleito. A ausência de diálogo institucional e a divergência ideológica consolidam um cenário de profundo isolamento e hostilidade diplomática na região.

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