A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29/10), a 9ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga a lavagem de R$ 7,6 bilhões por meio de um esquema envolvendo postos de gasolina. Na última fase da ação policial, o deputado estadual eleito Márcio Canella e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do RJ (PCERJ), foram presos. A corporação não havia informado, até a mais recente atualização desta matéria, quem são os alvos desta quinta (29).
Alvos na Barra da Tijuca
Nesta quinta, são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF informou que as buscas foram realizadas em salas comerciais apontadas como estruturas operacionais e administrativas do grupo investigado, bem como em imóvel residencial vinculado a um dos principais operadores identificados nas apurações. As medidas visam a arrecadação de documentos, dispositivos eletrônicos, registros contábeis e demais elementos de prova relacionados à investigação.
Origem das novas evidências
De acordo com a PF, esta fase da Operação Unha e Carne decorre da análise de fatos identificados após a deflagração da quinta fase da operação, especialmente dos dados extraídos de aparelho celular apreendido com um dos investigados. As informações teriam revelado novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pelo grupo na administração, ocultação e movimentação de recursos financeiros.
As investigações apontaram indícios da existência de uma complexa rede patrimonial composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados do núcleo investigado, mas que permaneceriam sob administração de integrantes da organização criminosa.
Esquema bilionário
De acordo com as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à Polícia Federal.
Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
Histórico da investigação
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 para investigar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho (CV).
Com o avanço das apurações, a Polícia Federal ampliou o foco da investigação e passou a apurar uma rede de proteção ao crime organizado, que incluiria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros. As diligências continuam para desarticular totalmente a rede criminosa no estado fluminense.








