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Eleições nos EUA: Queda de apoio latino ameaça Donald Trump

Insegurança econômica e rigor nas deportações reduzem vantagem republicana conquistada no pleito presidencial de 2024.

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EUA: desgaste de Trump entre latinos pode afetar republicanos nas eleições

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos tiveram início com a votação antecipada em diversos estados, colocando em evidência um obstáculo significativo para o governo de Donald Trump: a queda expressiva no apoio dos eleitores latinos, o que pode ameaçar a maioria republicana no Congresso americano.

Insatisfação com a economia e imigração

Depois de desempenharem um papel fundamental na vitória do republicano em 2024, muitos cidadãos dessa comunidade mostram grande descontentamento com o encarecimento do custo de vida e com as diretrizes de controle migratório adotadas pela gestão atual.

De acordo com uma pesquisa conduzida pela NBC News em conjunto com a Telemundo entre os dias 21 e 28 de setembro, 59% dos hispânicos preferem ver os democratas no comando do Congresso após a votação de novembro. Em contrapartida, apenas 35% demonstram preferência pelos republicanos.

Essa margem de 24 pontos percentuais é o dobro da vantagem que a oposição registrava no mesmo período de 2024, época em que liderava por 12 pontos. O cenário atual mostra uma forte reversão do avanço que os republicanos haviam conquistado na última disputa presidencial, quando atraíram especialmente homens e trabalhadores em busca de melhorias financeiras.

Impacto das eleições no Congresso

O pleito está marcado para o dia 3 de novembro, colocando em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 assentos no Senado. Como os republicanos detêm o controle de ambas as Casas no momento, a perda de maioria em qualquer uma delas tem o potencial de travar os projetos da administração e intensificar as investigações do Legislativo sobre o Executivo.

Apesar da clara liderança democrata nas pesquisas, analistas apontam que a rejeição às medidas governamentais não se traduz automaticamente em fidelidade partidária. O desafio da oposição consiste em engajar eleitores frustrados, enquanto os aliados de Trump tentam resgatar a confiança da parcela hispânica que apoiou o partido há dois anos.

A rejeição à condução econômica

O cenário é particularmente desfavorável na área financeira. Um levantamento da Equis Research aponta que meramente 20% dos latinos aprovam a forma como o atual presidente gerencia o custo de vida, enquanto 76% reprovam essa atuação.

Esse descontentamento repercute diretamente na preferência político-partidária. Os democratas recuperaram a dianteira na confiança para administrar a economia, invertendo totalmente o panorama registrado durante a campanha de 2024. Outros dados divulgados pela Axios, baseados também em pesquisas da Equis Research, reforçam a vantagem da oposição com 57% das intenções de voto para o Legislativo, frente a 31% dos republicanos.

O peso das deportações

As diretrizes para o setor migratório também geram desgaste. Embora o endurecimento das fronteiras tenha sido uma das principais promessas da campanha republicana, dois terços dos entrevistados pela NBC News e Telemundo avaliaram que o governo exagerou nas medidas de fiscalização.

As ações conduzidas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) geraram impactos diretos no cotidiano dessas famílias: mais de um quarto dos participantes relatou conhecer alguém que foi detido ou deportado pela agência nos dois anos anteriores ao levantamento.

Apesar disso, os dados mostram que o apoio a políticas de fronteira não significa concordância com expulsões em massa. A maioria aprova a retirada de estrangeiros sem documentos que tenham cometido crimes graves, mas a adesão despenca quando a proposta envolve a deportação de todos os imigrantes irregulares.

Contexto do voto em 2024

O avanço republicano junto à comunidade hispânica foi um dos pontos centrais da eleição presidencial anterior. Impulsionados pela revolta contra a inflação, esses eleitores se aproximaram de Trump em busca de estabilidade financeira e recuperação do poder de compra.

Informações do Pew Research Center revelam que Kamala Harris obteve 51% dos sufrágios desse grupo, ao passo que o republicano alcançou 48%. O resultado marcou uma retração significativa em relação a 2020, ano em que Joe Biden havia superado o adversário com margens bem mais amplas entre os latinos, sobretudo entre os homens hispânicos mais receptivos ao discurso conservador.

Apesar desses movimentos, a comunidade hispânica nos Estados Unidos está longe de ser homogênea. Fatores como país de origem, faixa de renda, religião, faixa etária e região geográfica influenciam de maneira determinante o comportamento nas urnas. Eleitores de origem cubana, por exemplo, demonstraram maior inclinação a apoiar Trump em 2024, ao passo que mexicanos e porto-riquenhos mantiveram maior fidelidade à candidatura democrata.

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