A implementação da Faixa Azul em São Paulo tornou-se um ponto de tensão política, trazendo à tona um debate sobre segurança viária e articulação federal. O tema ganhou destaque após o senador Flávio Bolsonaro (PL) mencionar, em entrevista, que o governo federal estaria dificultando a expansão do programa em vias paulistanas, prejudicando a categoria de motoboys. Contudo, a resistência do Ministério dos Transportes baseia-se em análises técnicas que questionam a eficácia da medida na redução de acidentes.
O impasse sobre a segurança viária O projeto, que funciona em caráter experimental, necessita de aval da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para ser estendido a outras vias da capital. A controvérsia ganhou força após um relatório técnico da SPTrans, entregue ao governo federal, revelar que as vias contempladas pelo programa registraram um aumento de 19,2% no número de mortes, saltando de 57 para 68 óbitos após a implantação da sinalização exclusiva.
Dados alarmantes sobre o trânsito Os indicadores de sinistralidade trazem preocupações específicas para diferentes usuários das vias. Enquanto o número de acidentes fatais envolvendo motociclistas cresceu 17,5%, a situação dos pedestres é ainda mais crítica, com uma alta de 150% nas mortes em locais com a Faixa Azul. Especialistas sugerem que o espaço exclusivo pode gerar uma falsa sensação de segurança, levando os motociclistas a trafegarem em velocidades mais elevadas, o que potencializa a gravidade das colisões.
Questionamentos sobre a metodologia A prefeitura de São Paulo sustenta que a medida é positiva e defende sua ampliação para cerca de 30 novas vias, argumentando que a maioria dos acidentes ocorre fora do corredor exclusivo. No entanto, a análise desses dados foi contestada por especialistas, que apontam uma possível distorção estatística. A gestão municipal soma as categorias “fora da faixa” e “sem informação” para reforçar a tese de segurança, um procedimento comparado a uma manipulação de dados onde, “em uma pesquisa eleitoral, um dos candidatos divulgasse que tem vantagem sobre o adversário porque, somou às respostas pelo seu nome também as respostas de não sabe”.
O futuro do programa experimental Apesar da pressão política, o Ministério dos Transportes mantém uma postura cautelosa. A pasta afirma que as informações enviadas pelas prefeituras seguem sob análise rigorosa. O objetivo do governo federal é definir, a partir desses resultados, se o projeto será mantido em fase de testes ou se haverá condições técnicas para uma regulamentação definitiva da Faixa Azul no Código de Trânsito Brasileiro.








