O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) garantiu o apoio formal de lideranças do Centrão para viabilizar sua tentativa de reeleição à presidência da Câmara dos Deputados, pleito marcado para fevereiro de 2027. Dirigentes de diferentes legendas comunicaram na última quarta-feira (14/10) que a aliança será mantida para a próxima legislatura, endossando as articulações pela recondução do parlamentar paraibano ao cargo máximo da Casa.
Bloco de centro fecha questão A coalizão que respalda o projeto político de Motta engloba União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos e a federação Solidariedade-PRD. Além de consolidar forças em torno da candidatura, a união das siglas tem como objetivo estratégico assegurar a preservação de espaços de poder na Mesa Diretora e nas comissões permanentes do parlamento.
O desafio da oposição do PL A movimentação do bloco ocorre no momento em que o PL, dono da maior bancada eleita para a próxima legislatura com 121 deputados, avalia lançar uma candidatura própria para o comando do Legislativo. Entre os nomes cotados pela legenda estão o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o atual primeiro-vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (RJ). A resistência ao atual presidente também envolve desavenças ideológicas com o bolsonarismo e divergências na gestão da pauta legislativa, visto que Motta declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo no primeiro turno, enquanto a sigla oposicionista faz oposição ferrenha ao Palácio do Planalto.
Peso das bancadas e esquerda no páreo Para alcançar a vitória já no primeiro turno da disputa, um candidato precisa angariar pelo menos 257 votos em plenário. A federação União Progressista, fruto da união entre PP e União Brasil, somará 87 parlamentares em 2027, seguida pelo PSD com 43 assentos, o Republicanos com 41 e o MDB com 36. Lideranças como Antonio Brito (BA), pelo PSD, já manifestaram formalmente respaldo à recondução, enquanto legendas de esquerda — a exemplo da federação PT, PCdoB e PV, que contará com 88 deputados — também podem compor a maioria necessária.
Contudo, analistas apontam que o compromisso firmado pelas cúpulas partidárias não assegura, de forma automática, a adesão integral dos parlamentares no dia do pleito. Como a votação secreta é uma característica marcante do processo, o cenário exige intensa articulação nos bastidores para converter o apoio formal das cúpulas partidárias em votos reais na urna.








