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Mudanças climáticas podem elevar risco de doenças urológicas

Especialistas alertam que oscilações extremas de temperatura afetam a fisiologia do trato urinário e exigem atenção redobrada com a hidratação.

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Oscilações extremas de temperatura podem elevar risco de doenças urológicas

As constantes variações climáticas observadas globalmente, potencializadas por fenômenos como o El Niño, trazem reflexos que ultrapassam o meio ambiente e impactam diretamente a saúde humana. Especialistas indicam que o sistema urinário é um dos alvos das mudanças bruscas de temperatura, podendo sofrer alterações fisiológicas que elevam o risco de quadros urológicos.

O impacto do calor e do frio na saúde do trato urinário

O organismo humano realiza um esforço contínuo para manter a regulação interna estável, independentemente das condições externas. Contudo, em cenários de calor intenso, o corpo perde grandes volumes de água pelo suor. “No calor, perdemos muita água pelo suor. Se essa água não for reposta logo, a urina fica concentrada, escura e ácida. Isso irrita a parede da bexiga e cria o ambiente ideal para o aparecimento de pedras nos rins e infecções”, alerta o urologista Ricardo Ferro, do Hospital Brasília Águas Claras.

Já em episódios de frio ou choque térmico, o corpo reage contraindo vasos sanguíneos para preservar o calor. Esse processo altera a dinâmica renal e a produção de urina. “A musculatura da pélvis também tende a se contrair. Para quem já tem bexiga hiperativa ou um aumento na próstata, essa combinação costuma provocar aquela vontade súbita e incontrolável de ir ao banheiro ou até o travamento da urina”, explica Ferro.

Fatores ambientais e predisposição clínica

É fundamental compreender que o clima não é o único causador dessas enfermidades, mas atua como um gatilho para quem já possui predisposição. “Na verdade, as temperaturas extremas são fatores ambientais capazes de modificar a fisiologia urinária, precipitar sintomas e aumentar determinados riscos clínicos em indivíduos predispostos”, afirma o urologista Osei Akuamoa Júnior, do Hospital Santa Lúcia Norte.

Alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos climáticos, incluindo idosos, que possuem menor sensação de sede, e crianças, que se desidratam com rapidez. Pessoas com doenças crônicas, como diabetes ou problemas renais, além de indivíduos com próstata aumentada, também compõem o grupo de maior risco.

A relação entre desidratação e cálculos renais

A falta de hidratação adequada é o principal fator de risco durante períodos de calor extremo. A água atua como um agente de limpeza no sistema urinário, e a escassez de líquidos resulta em um volume urinário reduzido, facilitando a formação de cálculos renais. “A água funciona como uma espécie de faxina diária no canal urinário. Com pouca água circulando, o volume de xixi diminui e ele fica cheio de sais minerais, como cálcio e oxalato. Sem diluição, esses cristais vão se juntando até formar as pedras”, exemplifica Ferro.

Além do risco de pedras, a desidratação prolonga o tempo em que a urina permanece na bexiga, permitindo que bactérias se proliferem e causem infecções. O monitoramento preventivo torna-se, portanto, uma estratégia essencial. “Sob a perspectiva da urologia, uma das associações mais bem estabelecidas é a existente entre temperaturas elevadas, redução do volume urinário e aumento do risco de eventos relacionados a pedras nos rins. O acompanhamento urológico preventivo deve considerar não apenas os fatores individuais de risco, mas também as condições ambientais às quais o paciente está exposto”, ressalta Júnior.

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