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Pedreiro viaja 2 mil km após cair em golpe de IA no TikTok

Vítima buscou pretendente que prometia vida de luxo, mas descobriu que a mulher era uma personagem digital criada para vender produtos.

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Como personagem virtual criada por IA enganou pedreiro que viajou mais de 2 mil km em busca de um encontro Como personagem virtual enganou pedreiro que viajou mais de 2 mil km em busca de um encontro (Foto: Reprodução; TikTok/ Unsplash)

O caso de um pedreiro de 49 anos que percorreu 2,1 mil quilômetros entre o Maranhão e Minas Gerais em busca de um encontro amoroso acendeu o alerta para os perigos das interações com inteligência artificial. Edimar Rocha Martins foi a Belo Horizonte na esperança de conhecer Jéssica Oliveira, uma suposta fazendeira que conheceu pelas redes sociais, mas descobriu, ao chegar ao destino, que a mulher sequer existia.

A estratégia por trás do perfil fake

O perfil, que acumula mais de 300 mil seguidores no TikTok, utilizava vídeos de uma personagem virtual para atrair pretendentes. A estratégia envolvia promessas de uma vida confortável e apoio financeiro. Em um dos vídeos, a personagem tenta seduzir o público: “Quero que você venha pra cá pra viver vida de rei. Olha o tamanho dessa fazenda que vai ser sua”.

Para gerar conexão emocional, a conta compartilhava histórias de uma suposta viuvez recente. “Sou viúva há quatro anos e acho que tem que seguir em frente. Eu parei minha vida por causa da tristeza, mas agora quero novas emoções. Queria um homem que não tenha medo de mudança”, dizia a personagem em outra publicação. Além disso, a promessa de sustento era recorrente: “Eu quero te bancar. Quero que você pare de trabalhar pra ficar só tranquilo”.

Inteligência artificial e publicidade enganosa

Além do viés amoroso, o perfil funcionava como uma vitrine para produtos. A personagem aparecia em vídeos publicitários, como um em que elogiava uma marca de itens masculinos: “Quando eu vejo os homens tomando essa marca peruana, o meu interesse já aumenta demais”.

Após o caso ganhar repercussão, a pessoa responsável pela criação da personagem rompeu o silêncio e admitiu o uso de tecnologia para fins comerciais. “Sou feita de inteligência artificial. Nunca conversei com ninguém nesse perfil. O intuito foi ganhar engajamento para vendas”, declarou. A criadora negou qualquer contato direto com Edimar: “Nunca falei diretamente com ninguém, e muito menos levei alguém a Belo Horizonte. […] Sobre o rapaz que falou que trocou mensagem comigo, é mentira”.

Ausência de legislação específica

O cenário jurídico brasileiro ainda busca se adaptar a essas novas formas de fraude. Atualmente, tramita o Projeto de Lei 2.338/2023, que visa estabelecer um marco legal para a inteligência artificial no país, prevendo desde a classificação de riscos até sanções como multas e suspensões.

Recomendações da polícia

A Polícia Civil de Minas Gerais ressalta que a simples criação de personagens por IA não é crime, porém, o uso da tecnologia para obter vantagens ilícitas pode configurar estelionato. As autoridades orientam que as vítimas registrem boletins de ocorrência e preservem todas as evidências digitais. A principal recomendação é manter a cautela extrema ao interagir com desconhecidos em ambientes virtuais, especialmente antes de realizar deslocamentos ou transações financeiras.

Ao ser questionado sobre a motivação da viagem, Edimar relembrou a insistência da suposta pretendente: “Ela falou assim: ‘Não, você vai morar mais eu aqui na fazenda’. Então, assim, eu digo: ‘Então eu vou’”. O caso serve como um lembrete crítico sobre a necessidade de verificação de identidade em um mundo digital cada vez mais sofisticado.

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