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Caçadores de monstros em Minas Gerais usam até isca humana

Associação em Mariana investiga lendas locais há duas décadas e prepara novas expedições pela mata para encontrar criaturas misteriosas.

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Caboclo d'Água: mineiros caçam monstro há 2 décadas e usam até isca humana

Um grupo de entusiastas do folclore em Minas Gerais realiza expedições periódicas em busca de criaturas lendárias como o Caboclo d’Água, a Noiva de Furquim e a Mãe do Ouro. Para tentar encontrar e registrar esses seres misteriosos, os participantes seguem orientações rigorosas que incluem restrições severas de higiene pessoal para evitar que o odor denuncie a presença humana nas matas.

A origem da Associação de Caçadores

As investigações começaram em 2008 a partir de publicações no jornal O Espeto, em Mariana, quando leitores ofereceram uma recompensa em dinheiro por uma fotografia do Caboclo d’Água. O projeto evoluiu para a fundação da Associação de Caçadores de Assombrações e Monstros de Mariana, conhecida como Acam.

“A partir daí passamos a receber também outros casos. Era o início da Acam, que nascia sem saber que existia. Só depois entendemos que estávamos formando um grupo! Recebemos pessoas, relatos, começamos a fazer pesquisas”, contou Leandro Henrique dos Santos, de 51 anos, professor, historiador, jornalista e diretor e fundador do jornal O Espeto.

Atualmente, o coletivo conta com aproximadamente 80 membros inscritos e promove atividades culturais gratuitas, incluindo visitas a locais históricos, distribuição de livros e palestras em escolas da região central e da Zona da Mata mineira.

Detalhes sobre o Caboclo d’Água

Considerado um dos principais focos das investigações, o Caboclo d’Água é descrito por testemunhas locais como uma mistura incomum de macaco, galinha e lagartixa. A criatura já teria sido avistada em diversos municípios mineiros, com relatos que incluem ataques a animais e confrontos com autoridades políticas locais.

“Esses três são os que mais têm testemunhas, muitas das quais se tornaram membros da Acam. Encontrar um ambiente acolhedor para falar sobre algo que foge do padrão da normalidade é reconfortante. A alegria das pessoas ao compartilhar seus relatos gera empatia e respeito, até para a autoestima”, disse.

Para capturar imagens da entidade, o grupo já utilizou estruturas engenhosas. Em uma das tentativas, um voluntário permaneceu isolado dentro de uma gaiola no meio de um rio durante várias noites para servir de atrativo.

“Instalamos a armadilha em um local de difícil acesso, que preferimos não revelar para não atrair curiosos. Nosso objetivo não é prender o Caboclo d’Água, mas estudá-lo e soltá-lo. Um dos nossos membros, o professor aposentado da UFOP, desenvolveu um feromônio à base de sangue de bezerro, mas acabamos atraizing muito cães. Ele já trabalha em outra versão. Em uma das tentativas, percebemos a presença de um animal, mas não tivemos sucesso, pois a maioria fugiu.”, relatou o fundador da Acam.

Outros mistérios de Minas Gerais

Além do monstro fluvial, a Noiva de Furquim atrai curiosos para um trecho rodoviário onde um trágico acidente nos anos 1960 vitimou oito pessoas. Os relatos apontam que o espírito da noiva costuma pedir carona na estrada e desaparece logo em seguida dentro dos veículos. Outro fenômeno investigado é a Mãe do Ouro, descrita como uma forte esfera luminosa que desce do céu e pode causar lesões oculares em quem a observa por muito tempo.

Embora os pesquisadores relatem fenômenos estranhos durante as incursões noturnas, a prioridade da associação continua sendo a preservação da cultura popular e o registro histórico das tradições orais mineiras.

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