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Sem comida e na rua: os 18 dias em que menina passou sequestrada pelo pai

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Sem comida e na rua: os 18 dias em que menina passou sequestrada pelo pai
São Paulo

Sem comida e na rua: os 18 dias em que menina passou sequestrada pelo pai

Menina, de 10 anos, foi sequestrada pelo pai em 20 de setembro em Barueri. 18 dias depois, ela foi resgatada pela PM na Praia Grande

Milena Vogado
12/10/2026 03:00
Imagens cedidas ao Metrópoles

Uma menina, de 10 anos, foi sequestrada pelo próprio pai, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, no dia 20 de setembro passado. Ela foi encontrada 18 dias depois, na última terça-feira (7/10), na Praia Grande, no litoral paulista. Nesse meio tempo, a criança ficou sem comida e dormiu na rua, até ser resgatada pela Polícia Militar (PM). O homem foi preso.

A mãe da criança contou ao Metrópoles que passou os 18 dias “desesperada”. Ela acionou a PM e a Justiça, que expediu um mandado de prisão contra Wellington Ferreira da Silva, o pai, e deu à mulher a guarda total da garota.

Sem comida e na rua

Somente no 12º dia, a mulher teve notícias da filha. O homem usou o celular da criança para enviar mensagens pedindo dinheiro. “Ele tava vivendo em situação de rua. Aí, ele mandava foto pra mim dela na chuva, dela deitada na calçada, dormindo na rua. E falava: ‘me manda dinheiro, porque o meu dinheiro acabou’”, disse.

A menina contou à mãe que o pai usava drogas e bebia álcool na frente dela, mas não lhe dava comida. “Ela falava ‘pai, minha barriga tá doendo de fome’ e ele mandava ela pedir nas lanchonetes, restaurantes, pedir na rua”, afirmou a genitora.

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Durante o período do sequestro, pai e filha caminharam longas distâncias. Após ser resgatada, a menina precisou de atendimento médico para tratar uma ferida no pé, revelou a mãe da criança.

Os dois chegaram a passar por Curitiba, no Paraná, mas retornaram ao estado de São Paulo. O homem recebeu ajuda de uma cunhada, com quem se encontrou neste intervalo de 18 dias, e de quem recebeu R$ 2 mil.

Histórico de violência

Wellington tem um grave histórico de violência. Em um relacionamento anterior, quando ainda era menor de idade, ele atirou contra a então companheira, a deixando paraplégica.

O relacionamento com a mãe da filha dele, que ele sequestrou, durou 11 anos. Nos últimos seis, Wellington passou a usar drogas e ser violento, a agredindo com frequência. Em um episódio, o homem chegou a quebrar a mandíbula dela.

Quatro meses antes do sequestro, eles encerraram a relação. A mulher acionou a Justiça pedindo uma medida protetiva para ela e para a filha, mas somente a dela foi concedida.

Segundo a mãe, após a separação, Wellington nunca procurou pela filha, mas sempre enviava mensagens com ameaças de morte, dizendo que mataria a menina para atingir a mulher.

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Em 19 de setembro, mãe e filha estavam andando juntas na rua quando Wellington se aproximou e mostrou um revólver, exigindo que as duas o acompanhassem. “A minha filha falou assim: ‘mãe, vamos junto com meu pai, porque senão ele vai te bater, ele vai te fazer mal’”, lembrou a mulher.

Ele pediu um carro por aplicativo e os três seguiram para um hotel em Barueri. Segundo a mulher, tudo parecia “combinado”. O recepcionista não pediu o documento das duas e deixou que elas seguissem para um quarto com o suspeito, mesmo com a mãe da criança dizendo que estava ali contra a vontade.

No quarto, a mãe alertou à filha para não consumir nada dado pelo pai, pois ele já havia a dopado anteriormente. Com fome, a menina aceitou um salgadinho, que as duas comeram. Levou pouco tempo até que ambas ficassem inconscientes.

A mulher acordou sendo agredida por Wellington. “Acordei com ele em cima de mim, me estrangulando, com o dedo no meu olho. Depois, com o travesseiro na minha cara. Aí, eu desmaiava e ele me acordava com um balde de água. E aí depois eu já não lembro de nada. Acordei 4h30 e pedi socorro. Minha filha já não tava mais lá, e ele não tava mais lá”, contou.

O suspeito levou o celular e demais pertences pessoais da mulher. Mais tarde, ela descobriu que ele vendeu o aparelho dele e também o dela, usando o da criança para se comunicar. “Ele ligava e desligava, sabe? Pra gente não poder rastrear. Ele jogou o chip fora e ficava só falando em Wi-Fi”, detalhou.

Mãe e filha passam por acompanhamento psicológico

Segundo a mulher, tanto ela quanto a menina passam por acompanhamento psicológico. “Ela tá com uns traumas que vai ter que tratar”, contou sobre a filha.

A mãe disse esperar que Wellington passe “um bom tempo” preso. “Que não saia de lá mais, nunca mais. Porque, quando ele sair, ele vai vir atrás de mim”, adiantou.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso foi registado como sequestro e cárcere privado, e o homem permaneceu à disposição da Justiça.

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