A equipe de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) confirmou a presença do candidato evangélico na “Missa da Equipe Organizadora e Consagração das Partículas”, marcada para o Dia de Nossa Senhora Aparecida na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Brasília, sob a presidência do cardeal Paulo Cezar Costa.
Estratégia para o segundo turno
O movimento possui uma dupla finalidade eleitoral. O primeiro ponto é afastar boatos de que o postulante pretenderia retirar o título de padroeira de Aparecida caso seja eleito. O segundo objetivo é conquistar espaço entre os eleitores católicos, segmento no qual o candidato busca reverter desvantagem numérica.
Enquanto isso, o adversário Luiz Inácio Lula da Silva deve passar o feriado no Palácio da Alvorada. Por sua vez, o vice Geraldo Alckmin mantém sua tradicional romaria ao santuário, hábito que cultiva há quatro décadas e que ganhou forte significado emocional após a morte de seu filho em 2015.
A polêmica com o alto clero
Dias antes do evento oficial, o cardeal dom Paulo Cezar Costa recebeu Flávio e o vice Alfredo Gaspar em sua residência particular, entregando-lhes uma imagem da santa. A reunião reservada causou desconforto em setores do episcopado católico, rompendo com a tradição de realizar encontros políticos na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A postura do cardeal contrasta abertamente com as diretrizes da própria CNBB e de autoridades eclesiásticas. O novo arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, reforçou o pedido para afastar a data de interesses partidários ao declarar: “Que ninguém venha a Aparecida para alimentar divisões ou animosidades”.
O peso do eleitorado católico
Os números explicam a movimentação política na liturgia. Nas urnas do primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. Embora o candidato do PL domine amplamente o eleitorado evangélico, a maioria católica concentra o principal campo de disputa nesta fase decisiva da corrida presidencial.








