O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro decidiu alterar sua postura pública e votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1. A guinada na estratégia ocorre a apenas 11 dias do segundo turno contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma tentativa clara de blindar a campanha contra desgastes com o eleitorado.
Mudança de rota na reta final A votação em primeiro turno no Senado Federal foi marcada para esta quarta-feira (14/10) pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Nos bastidores, articuladores políticos da campanha admitem a intenção de “modular e adequar” o texto caso o candidato do PL saia vitorioso na disputa pelo Palácio do Planalto, mesmo que a proposta seja aprovada nos moldes atuais pelo Congresso.
A reviravolta foi alinhada na semana passada com o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha e líder da oposição. O receio principal era o de que uma rejeição à pauta, que conta com forte apelo popular, fornecesse aos adversários políticos argumentos para rotular o parlamentar como inimigo dos direitos trabalhistas.
Repercussão e ataques anteriores A guinada representa uma inversão completa no tom adotado até então pelo grupo político. Anteriormente, o postulante ao Executivo havia classificado a iniciativa como eleitoreira e acusou o atual mandatário de tentar capitalizar politicamente com o tema.
“O Lula, em 4 anos de governo, não faz. Agora, no meio do 2º turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele”, declarou.
A proposta em votação prevê a diminuição progressiva da carga horária máxima semanal de 44 para 40 horas, assegura dois dias de folga e proíbe qualquer tipo de corte nos salários. Contudo, a equipe econômica do candidato mantém ressalvas quanto ao impacto financeiro para o setor empresarial.
Agenda e contexto da votação Mesmo com a relevância da pauta no plenário, o candidato não comparecerá presencialmente à sessão em Brasília, pois cumprirá compromissos de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Por ser um formato semipresencial, ele poderá registrar sua posição à distância.
A decisão definitiva foi tomada após um encontro com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na terça-feira (13/10). Na ocasião, o parlamentar reconheceu o forte desejo popular pelo término do regime de seis dias de trabalho e sugeriu que o Estado encontre formas de ressarcir o empresariado pelos encargos extras decorrentes da mudança.








