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Psiquiatra diagnosticada com câncer de mama inverte papéis

Especialista em cuidados paliativos revela como a descoberta da doença aos 45 anos mudou sua perspectiva sobre o tratamento e a vida.

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"Preciso viver o agora", diz psiquiatra que descobriu câncer de mama aos 45

A rotina da médica psiquiatra Lilliane Leal de Moraes Couto, de 45 anos, mudou drasticamente em apenas 15 dias. Acostumada a oferecer suporte emocional e clínico a pacientes há mais de uma década, a moradora de Brasília viu sua realidade ser transformada pelo diagnóstico de um câncer de mama. A transição de cuidadora para paciente trouxe um desafio inesperado para a especialista em cuidados paliativos, que precisou aprender a aceitar o zelo de terceiros.

A jornada de quem aprende a ser cuidada O processo de aceitação tem sido complexo para quem sempre esteve habituada a tomar decisões e buscar soluções práticas para o sofrimento alheio. “Preciso viver o que está diante de mim agora. Talvez o maior desafio tenha sido aprender a ter paciência para ser paciente”, conta. Após passar pelo procedimento cirúrgico para a retirada do tumor, ela enfrenta agora o período pós-operatório. Sobre essa fase de espera, ela completa: “Para quem está habituada a cuidar, tomar decisões e buscar respostas, esperar os resultados dos exames, cada etapa do tratamento e o próprio tempo do pós-operatório podem ser muito difíceis”.

A descoberta e o impacto emocional Tudo começou em 2 de agosto, quando um autoexame de rotina revelou um nódulo. Após uma ultrassonografia e uma biópsia, o diagnóstico de câncer de mama em estágio 2 foi confirmado no dia 17 de agosto. A psiquiatra descreve o período entre a suspeita e a confirmação como um momento de profunda agonia. “Ainda não havia confirmação. Tecnicamente era preciso esperar o resultado, mas meu coração já sentia que algo estava errado”, lembra. Ela ressalta que, em menos de três semanas, sentiu como se sua vida tivesse mudado completamente de lado.

Importância da atenção aos sinais O caso de Lilliane, que não possui histórico familiar da doença, serve de alerta. A mastologista Natália Polidorio, do Hospital Brasília e líder nacional de mastologia da Rede Américas, pontua que a maioria dos diagnósticos ocorre justamente em mulheres sem histórico genético relevante. “Por isso, conhecer o próprio corpo e perceber mudanças nas mamas continua sendo fundamental. O aparecimento de um nódulo novo, alterações na pele ou no formato da mama, retração do mamilo, saída espontânea de secreção ou qualquer mudança persistente merece avaliação médica”, explica.

Estratégias de enfrentamento Atualmente, a psiquiatra aguarda o resultado de um exame chamado oncotype, que auxiliará a equipe médica a definir se haverá necessidade de quimioterapia associada à radioterapia. Enquanto isso, ela utiliza seu conhecimento profissional para gerenciar a ansiedade e manter o foco no presente. A mastologista reforça que a medicina atual busca tratamentos cada vez mais específicos. “O tratamento do câncer de mama é personalizado e pode iniciar por cirurgia ou quimioterapia. A conduta final depende da análise da biologia do tumor, seu tamanho e acometimento dos linfonodos”, esclarece a médica.

Para a psiquiatra, a experiência atual é uma lição de resiliência. “Aprendi que cada etapa é um processo e que não devo viver todas elas ao mesmo tempo. Preciso viver o que está diante de mim agora”, afirma. Encarando o tratamento como uma fase da existência, ela conclui: “Não temos como prever tudo, mas podemos escolher como viver cada etapa. No fim, não se trata apenas de atravessar o câncer. Trata-se também de continuar vivendo”.

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