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Lula e Flávio Bolsonaro miram 706 mil votos “sem dono” no DF

O expressivo contingente de abstenções e votos nulos no Distrito Federal e Entorno é o alvo principal das campanhas para o segundo turno.

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Flávio e Lula disputam 706 mil votos "sem dono" no DF e Entorno

O segundo turno da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro ganha contornos de incerteza no Distrito Federal e nos 33 municípios que compõem a Região Integrada de Desenvolvimento (Ride). Com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral, um levantamento aponta que mais de 706 mil eleitores optaram por não escolher nenhum candidato no primeiro turno, seja por meio da abstenção, do voto em branco ou do nulo.

O peso do eleitorado ausente

No Distrito Federal, o fenômeno foi expressivo: 485.512 pessoas não votaram em nenhum dos presidenciáveis. Esse número é o resultado de uma taxa de abstenção de 18,90%, somada aos 1,81% de votos nulos e 1,38% de brancos. Nos municípios vizinhos, a situação é ainda mais aguda, com uma média de 26,71% de eleitores que não declararam voto em nenhum concorrente, atingindo picos de rejeição em cidades como Cavalcante e Vila Boa.

Domínio conservador e redutos petistas

O mapa da preferência política no eixo Brasília-Entorno confirmou a força do bloco conservador. Flávio Bolsonaro obteve 51,31% dos votos no DF e venceu em 28 das 33 cidades do Entorno. O candidato do PL encontrou seu maior apoio em bases ligadas ao agronegócio, como Cristalina e Unaí. Em contrapartida, Lula, que registrou 38,11% no DF, manteve redutos específicos em cidades com perfil de ecoturismo e assentamentos rurais, como Cavalcante e Alto Paraíso.

A estratégia para o segundo turno

A disputa pelos eleitores que se mantiveram distantes das urnas tornou-se o principal desafio das campanhas. O advogado e analista político Melillo Dinis pontua que o comportamento do eleitorado é complexo e não pode ser tratado como uma reserva simples de votos. “No Brasil, tradicionalmente o eleitor escolhe principalmente pela identificação com um candidato ou projeto. O rejeitor, por outro lado, orienta sua decisão sobretudo por aquilo que deseja impedir”, afirmou Mellilo.

Sobre a dinâmica do segundo turno, o especialista ressalta que o cenário ainda é aberto. “Para o segundo turno, a vantagem inicial favorece Flávio nesse território, mas não congela o resultado. Lula pode reduzir a distância se mobilizar parte dos ausentes e conquistar eleitores que escolheram outras candidaturas. Flávio pode ampliá-la se conservar sua base e agregar mais votos de rejeição ao PT”, analisou.

Por fim, o analista alerta para a natureza desse contingente de 700 mil pessoas. “Setecentas mil pessoas que não escolheram um candidato no primeiro turno não são 700 mil votos disponíveis numa prateleira. Algumas continuarão ausentes, outras manterão o branco ou o nulo, e as que passarem a votar poderão se dividir entre os dois candidatos. O decisivo é o saldo da mobilização”, frisou.

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