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Terceirizado da UNE ameaça indígena em ato de apoio aos povos originários

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Terceirizado da UNE ameaça indígena em ato de apoio aos povos originários
São Paulo

Terceirizado da UNE ameaça indígena em ato de apoio aos povos originários

Nas redes sociais, jovem relata descaso e violência por funcionário e liderança da UNE; órgão estudantil pede desculpas

Emilly Gondim
05/11/2026 23:47
Redes sociais/Reprodução

São Paulo— Um ato em apoio aos povos indígenas, que estão sendo ameaçados por antipetistas desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorreu no último domingo (1/11), na Praça Franklin Roosevelt. Durante a manifestação, puxada por movimentos progressistas, lideranças dos povos originários foram mais uma vez desrespeitados, inclusive por um funcionário terceirizado da União Nacional dos Estudantes (UNE). O órgão estudantil se retratou nas redes sociais.

Segundo relato publicado nas redes sociais, o coordenador da Aliança dos Indígenas Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), Tuza Median, afirmou que um funcionário contratado pela UNE ameaçou de morte o jovem. Na ocasião, um grupo de pessoas ocupavam o palco serem impedidos de realizarem falas pela organização estudantil.

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No vídeo, Tuza faz uma linha cronológica de uma série de desrespeitos por parte da UNE naquela tarde. O ato, que inicialmente foi organizado em apoio aos povos originários, tornou-se uma festa com palco, equipamento de som e banda. “Nós [povos indígenas] nos unimos e decidimos que não queríamos ficar num ato daquela forma, então começamos um canto, uma ritualística indígena, com nossos cantos sagrados, com as nossas palavras, com a nossa cultura.”

Ele conta que se aproximaram do palco e pediram direito ao microfone, o que foi negado porque o show da banda precisava continuar. O direito à fala só seria possível após essa apresentação, informou um integrante da direção da UNE. Pouco tempo depois, a música foi paralisada para dar espaço para Bianca Borges, presidenta da UNE.

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“Ela [Bianca] estava com uma estrutura de som de show, superalta. Nós continuamos com nossa ritualística sagrada que não deveria ser interrompida. Mas a Bianca fez uma fala enorme, um tanto quanto insensível, com o microfone superalto em que a gente mal conseguia se ouvir durante nossos cantos”, criticou Tuza.

Quando a presidenta da UNE terminou de usar o palco, o grupo pediu, mais uma vez, o direito à fala. Novamente, foi negado. Nesse momento, os povos originários decidiram ocupar o palco. “A gente queria que nossos mais velhos pudessem ecoar a voz dos povos indígenas: o pedido de socorro pelas queimadas, o socorro pela vingança [dos antipetistas] e o pedido de demarcação já.”

Ao subirem no palco, funcionários contratados e a direção da UNE começa a discutir com os indígenas. As cenas foram filmadas por presentes e flagraram o momento em que um dos trabalhadores ameaça Tuza de morte: “Se um ele encostar um dedo em você, eu mato ele.”

O vídeo publicado por Tuza tem mais de 170 mil visualizações. Após a repercussão negativa, a UNE publicou nota de retratação nessa quarta-feira (4/11). Leia a íntegra:

“A União Nacional dos Estudantes (UNE) repudia a declaração feita por um contratado terceirizado durante a manifestação do último domingo em São Paulo, que pautou a defesa da democracia e soberania brasileiras e também a denúncia contra a violência sofrida pelos povos indígenas.

A fala é inaceitável e não representa, sob nenhuma circunstância, os princípios e posicionamentos da nossa entidade. A UNE tem um compromisso histórico com a defesa da vida, dos direitos humanos e das lutas dos povos indígenas, compromisso que reafirmamos de maneira inequívoca, e ao tomarmos conhecimento sobre a pauta, instantaneamente acrescentamos também à palavra de ordem do ato, e atuamos para a construção conjunta com os coletivos de estudantes indígenas presentes.

Em nome de sua diretoria, a UNE pede desculpas pela declaração ocorrida durante a mobilização e reconhece a responsabilidade de assegurar que seus espaços de atuação sejam coerentes com os valores que defendemos.

Estamos apurando o ocorrido e adotaremos todas as providências cabíveis. Colocamos a UNE à disposição para dar o suporte jurídico necessário ao estudante ameaçado.

A luta pela democracia é inseparável da defesa da vida e dos direitos dos povos indígenas. Seguiremos ao lado dessa luta, com respeito, responsabilidade e compromisso.”

Assista ao vídeo de Tuza:

 

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