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Entenda crise bancária no Paraguai que levou à renúncia do presidente do Banco Central

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Entenda crise bancária no Paraguai que levou à renúncia do presidente do Banco Central

Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção, na terça-feira (3), cobrando a liberação de seu dinheiro do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A instituição financeira foi colocada sob intervenção depois de ser considerado insolvente. Ou seja, sem capacidade de honrar seus compromissos.

O Banco Central do Paraguai determinou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes. Nesta quarta-feira (4), o órgão suspendeu temporariamente saques de dinheiro de determinados fundos de investimentos vinculados ao Ueno Bank. A instituição financeira atendia quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios.

O órgão também comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores do Ueno Bank. A antecipação será de até 40 salários mínimos. Dívidas pendentes com a instituição financeira serão deduzidas do valor.

Já a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na crise bancária. Dentre eles, estão o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e do diretor-executivo da instituição financeira, Federico Miguel Vázquez.

Rebaixamento

Em comunicado, a agência de classificação de risco Finch informou também nesta quarta-feira que rebaixou os ratings de inadimplência do emissor (IDRs, na sigla em inglês) de longo prazo em moeda estrangeira e local do Ueno Bank de “BB” para “D” (default).

A Fitch também rebaixou os IDRs de curto prazo em moeda estrangeira e local do Ueno de “B” para “D”, e o rating de suporte governamental (GSR) de “bb-” para “sem suporte”. Outras notas da instituição também foram rebaixadas.

“O rebaixamento dos IDRs do Ueno Bank para ‘D’ reflete o entendimento da Fitch de que o emissor entrou em processo de liquidação e encerrou suas operações”, informou a agência.

Renúncia de presidente do Banco Central

Em meio à crise bancária, Carlos Cavallo renunciou na terça-feira da presidência do Banco Central. Outros dois diretores do órgão também deixaram os seus cargos.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quarta-feira a indicação do economista Raúl Vera Bogado para chefiar o Banco Central.

Em publicação no X (ex-Twitter), o chefe de Estado paraguaio também informou que indicou Pedro Acosta para integrar o Diretório do Banco Central do Paraguai (BCP).

A crise bancária marca um novo rumo no governo, que já chegou a deter oito executivos e empresários, entre eles Gustale e Vázquez.

Com informações de AFP e Estadão Conteúdo

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