O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, utilizou as redes sociais na última segunda-feira (2/11) para avaliar a condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2026. O pleito foi marcado pela disputa acirrada no segundo turno entre o vencedor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Cobrança por neutralidade na Corte
Sem mencionar nomes diretos, o magistrado direcionou críticas severas ao comando da Corte eleitoral, atualmente sob a presidência de Kassio Nunes Marques.
“De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, declarou Gilmar Mendes em sua postagem na plataforma X.
O ministro ponderou que, embora o resultado final tenha sido positivo após um período de grande polarização e tensões jurídico-políticas, a gestão do processo deixou a desejar.
“As eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam”, pontuou.
O papel decisivo do colegiado
Para o decano da mais alta corte do país, a estabilidade do processo democrático não deveria necessitar de resgates constantes a cada ciclo eleitoral. A responsabilidade na liderança da Justiça Eleitoral exige firmeza e total alinhamento constitucional.
“Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático”, afirmou.
Riscos de falhas na liderança
Em tom de alerta, o magistrado detalhou os perigos de uma postura omissa no comando de instituições de grande relevância para o país.
“Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável”, ressaltou.
Por fim, apesar de reforçar as críticas à condução individual da presidência do tribunal, o ministro reiterou a importância da atuação conjunta dos magistrados.
“Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, concluiu.








