Legado de fé na capital
Mais de 50 anos após o trágico assassinato de Ana Lídia Braga, ocorrido em 1973, sua memória permanece viva não apenas na história policial de Brasília, mas como um forte símbolo de devoção popular. No Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, o jazigo da menina recebe constantemente fiéis que depositam flores, cartas, objetos e fotografias, buscando conforto espiritual e alcançando, segundo os devotos, milagres e graças.
Tradição e memória no Dia de Finados
Durante o feriado de Finados, o fluxo de visitantes no local se intensifica. Entre aqueles que mantêm viva a tradição de visitar o túmulo está Esmeralda Pereira, de 65 anos. Acompanhada por familiares, ela reforça que a visita faz parte de um costume anual. “Sempre a gente vem, todos os anos. Passa aqui, acende uma vela também. E nós acendemos a vela, oramos, fazemos nossas orações”, relatou.
Esmeralda também destacou as dificuldades de locomoção de alguns parentes, mas ressaltou a importância da fé que permeia a visita. “Esse ano não deu para vir todo mundo, porque o pessoal trabalha, outros estão com problemas de saúde. Mas hoje somos só nós três”, explicou, mencionando que a irmã, inclusive, já teve uma promessa atendida pela intercessão da menina.
O caso que marcou Brasília
Ana Lídia tinha apenas 7 anos quando desapareceu em 11 de setembro de 1973, ao ser deixada pelos pais na porta de sua escola na Asa Norte. O caso gerou uma intensa investigação policial que apontou como suspeitos seu irmão, Álvaro Henrique Braga, e Raimundo Lacerda Duque. Após um longo processo marcado por reviravoltas, ambos foram absolvidos por falta de provas em 1975. O crime, que nunca foi totalmente elucidado, prescreveu em 1993.
Contexto histórico e desfechos
O impacto do crime foi tão profundo que a memória de Ana Lídia permanece presente em diversos pontos da cidade, inclusive dando nome a um conhecido parque infantil. Os principais envolvidos no caso já faleceram ao longo dos anos, incluindo Álvaro Henrique Braga, que atuava como médico no Rio de Janeiro e faleceu em novembro de 2025. Apesar do tempo, a sepultura, coberta por objetos como bonecas e placas de agradecimento por conquistas acadêmicas, atesta que a figura de Ana Lídia transcendeu o trauma para se tornar um ícone de esperança para muitos brasilienses.








