País – A inadimplência das famílias brasileiras nas operações de crédito livre chegou a 8,1% em setembro de 2026, o maior patamar da série histórica, segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira (30). O índice subiu 0,1 ponto percentual em relação a agosto e 1,2 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O cenário de dificuldade financeira também aparece nos dados da Serasa. Em agosto, o país registrou 83,9 milhões de consumidores com o nome negativado, o maior número da série histórica disponível, conforme o levantamento da instituição.
A taxa divulgada pelo Banco Central considera atrasos superiores a 90 dias nas operações de crédito livre com pessoas físicas, como empréstimos pessoais. O percentual representa a parcela das operações abrangidas pelo indicador que está em atraso, e não a proporção de brasileiros inadimplentes.
Endividamento compromete renda das famílias
O avanço da inadimplência ocorre em meio aos juros elevados e ao comprometimento do orçamento doméstico. Em agosto, o endividamento das famílias alcançou 50,1% da renda acumulada em 12 meses. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas chegou a 29%, segundo os dados citados do Banco Central.
A taxa média de juros das operações bancárias atingiu 32,4% ao ano. No rotativo do cartão de crédito, o percentual chegou a 451,7% ao ano, modalidade que está entre as mais caras para o consumidor.
Serasa registra 83,9 milhões de negativados
O Mapa da Inadimplência da Serasa considera diferentes compromissos financeiros, incluindo dívidas de cartões, empréstimos e contas de consumo.
Entre os consumidores negativados em agosto, 35,8% tinham entre 41 e 60 anos. A faixa de 26 a 40 anos representava 33,2%, enquanto pessoas com mais de 60 anos correspondiam a 20,1%. Já os jovens de 18 a 25 anos somavam 11%.
Outro dado da Serasa mostra que 8,92 milhões de consumidores tinham dívidas negativadas simultaneamente em bancos tradicionais e fintechs, em julho. O número é mais de quatro vezes superior ao registrado em dezembro de 2019, quando havia 1,96 milhão de pessoas nessa situação.
Renegociação de dívidas
Em agosto, os acordos realizados pela plataforma Serasa Limpa Nome tiveram valor médio de R$ 741. No período, foram concedidos mais de R$ 11,8 bilhões em descontos.
A plataforma reunia ainda 738 milhões de ofertas de negociação, que somavam mais de R$ 1,1 trilhão em valores ofertados para renegociação.
Os indicadores apontam para um cenário de pressão sobre as finanças das famílias, marcado pelo aumento dos atrasos no crédito bancário e pelo elevado número de consumidores com restrições financeiras. A evolução dos juros, da renda e das condições de renegociação está entre os fatores que podem influenciar a recuperação da capacidade de consumo.








