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Nunes reconhece reeleição de Lula após carta de Flávio Bolsonaro nos EUA

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Nunes reconhece reeleição de Lula após carta de Flávio Bolsonaro nos EUA
São Paulo

Nunes reconhece reeleição de Lula após carta de Flávio Bolsonaro nos EUA

Prefeito de SP, Ricardo Nunes, reconhece decisão do TSE de validar vitória de Lula e diz que “cabe à oposição, o papel de fiscalizar”

Emilly Gondim
28/10/2026 21:32, atualizado 28/10/2026 21:40
Divulgação/Assessoria

São Paulo — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) se pronunciou, nesta quarta-feira (28/10) sobre a carta de Flávio Bolsonaro (PL) em que se autodeclarou “verdadeiro presidente do Brasil”. Depois, ele apagou a postagem e trocou a expressão para “líder”. Em nota, Nunes afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) validou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou o presidente Lula reeleito após conquistar 64,2 milhões de votos no 2º turno — quase 4,5 milhões de votos a mais que Flávio. A eleição foi reconhecida pelo Judiciário do Brasil, por organismos internacionais e pela oposição, incluindo o Partido Liberal (PL), partido de Flávio.

“O TSE ja definiu o novo presidente e precisamos ter serenidade diante do resultado. A quem ganhou, cabe governar o país para melhorar a economia e a qualidade de vida da população. Assim como cabe à oposição, que teve quase 60 milhões de votos, o papel de fiscalizar”, declarou o prefeito.

Na manhã desta quarta-feira (28/10), Nunes havia dito que o senador Flávio Bolsonaro “tem os motivos dele” para fugir para os Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais do último domingo (25/10).

“O meu foco agora é cuidar da cidade. Cada pessoa que toma uma atitude, só ela sabe os motivos reais. Então, seria imprudente da minha parte opinar em algo que eu não sei ou que poderia, eventualmente, acontecer”, afirmou Nunes durante agenda na zona leste da capital paulista. “Não sei nem se ele vai voltar, se ele não vai voltar. Acho que é muito prematuro para a gente dizer.”

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Mais cedo, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a carta aberta do senador e candidato derrotado na disputa pela Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).

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do Metrópoles SP

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia.”

Horas antes, Tarcísio havia declarado que entendia o ressentimento de Flávio, mas não compactuava com os mesmos pensamentos do parlamentar, defende a democracia e o sistema eleitoral brasileiro.

“Entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, ressalta.

Flávio culpa STF, mesmo que também tenha pedido prorrogação da votação

“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível”, diz trecho.

Na carta, Flávio diz que após a “repugnante fraude eleitoral o ministro Alexandre de Moraes, do STF, colocou em prática um ‘plano previamente elaborado’ — o pedido de apreensão do passaporte. Senador afirma que Moraes “muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime”.

Flávio nega ter fugido do Brasil: “Eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.”

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Senador viajou acompanhado de sua esposa e suas filhas
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Senador viajou acompanhado de sua esposa e suas filhas

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O avião fez uma escala em Equador após sair da Argentina
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O avião fez uma escala em Equador após sair da Argentina

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Flávio deve pedir asilo político nos EUA
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Flávio deve pedir asilo político nos EUA

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Os EUA já afirmaram que vão emitir vistos para a família
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Os EUA já afirmaram que vão emitir vistos para a família

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Empresa de jatinho que levou Flávio aos EUA é investigada na Argentina
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Empresa de jatinho que levou Flávio aos EUA é investigada na Argentina

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O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)  disse ainda que pretende liderar a oposição diretamente dos Estados Unidos.

“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direito o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirmou Flávio.

No documento, Flávio agradece ainda ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela “coragem e senso de justiça e legalidade” e ao líder dos Estados Unidos, Donald Trump, por o acolher no país.

Confira a íntegra da carta:

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema.

Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Que Deus abençoe o Brasil.


Resultado das urnas

  • No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio terminou à frente de Lula na votação para presidente.
  • O candidato do PL obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista registrou 45,16%.
  • No segundo turno, em 25 de outubro, Lula reverteu a diferença e venceu a disputa.
  • O resultado final foi de 64.256.232 votos para o petista e 59.826.041 para Flávio, uma vantagem de aproximadamente 4,43 milhões de votos para o presidente reeleito.
  • Flávio foi derrotado em eleição reconhecida pelo TSE, pelo PL e outros partidos da oposição, por seu vice, Alfredo Gaspar, e pela comunidade internacional.

Flávio Bolsonaro e família desembarcam em Miami

O senador Flávio Bolsonaro e sua família desembarcaram nos Estados Unidos por volta das 10h25 (horário de Brasília) desta quarta-feira (28/10). O avião particular em que viajavam partiu da Argentina, fez uma escala no Equador e seguiu para Miami, onde pousou no Miami-Opa Locka Executive Airport. Assista às imagens feitas pela Reuters:

Durante a madrugada, o governo argentino confirmou a passagem do parlamentar pelo país na noite dessa terça-feira (27/10). Em comunicado, a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que ele cruzou a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, por volta das 22h50, e deixou o território 40 minutos depois.

O senador estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas. Segundo o órgão, os quatro apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimentos legais para entrar no país. Ainda de acordo com a migração, às 23h30, a família embarcou em um voo privado da companhia Baires Fly. O destino informado no plano de voo era Guayaquil, no Equador.

 

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*Em atualização

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