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Daniel Radcliffe revela truque que usava para lembrar astro de ‘Harry Potter’ das falas em início de demência Daniel Radcliffe revela momento em que percebeu dificuldades de Michael Gambon em “Harry Potter” (Foto: Divulgação)

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Daniel Radcliffe revela truque que usava para lembrar astro de ‘Harry Potter’ das falas em início de demência Daniel Radcliffe revela momento em que percebeu dificuldades de Michael Gambon em “Harry Potter” (Foto: Divulgação)

Daniel Radcliffe revelou quando percebeu que Michael Gambon, intérprete de Alvo Dumbledore na franquia “Harry Potter”, enfrentava dificuldades para memorizar suas falas. Em depoimento para a biografia autorizada do ator, escrita pelo jornalista Jasper Rees, o astro contou como passou a ajudar o colega durante as gravações dos filmes. A obra também confirma que Gambon foi diagnosticado com demência, condição que ele negou publicamente até sua morte, em 2023.

Gambon assumiu o papel do diretor de Hogwarts em 2003, após a morte de Richard Harris, que interpretou o personagem nos dois primeiros filmes. Ele permaneceu na franquia até “Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2” (2011), mas, em 2015, anunciou sua aposentadoria dos palcos por já não conseguir memorizar suas falas.

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Radcliffe explicou a impressão que tinha dos erros de Gambon no início. “Eu achava que ele não se importava muito em acertar as falas logo na primeira tentativa, porque era Harry Potter, um filme de grande porte, e sabíamos que tínhamos tempo e dinheiro”, contou ele. A percepção mudou quando a equipe chegou ao sexto filme da franquia: “Quando chegamos ao sexto filme, de repente, eu percebi”.

O ator explicou que passou a segurar placas com as falas de Gambon em diversas cenas nas quais os dois contracenavam. O recurso permitia que o intérprete de Dumbledore acompanhasse o texto enquanto atuava. “Eu ficava atrás de placas com as falas em muitas cenas, simplesmente segurando-as”, lembrou.

Michael Gambon como Dumbledore (Foto: Divulgação)

Radcliffe também contou que Gambon chegava a se desculpar pela situação. “Às vezes, Michael pedia muitas desculpas, porque estava falando comigo e a placa precisava ficar na frente do meu rosto. Ele aceitou que aquilo tornaria a vida de todo mundo mais fácil, inclusive a dele, e que ninguém estava julgando-o”, disse ele.

O ator destacou que o carinho pelo colega fazia com que não se incomodasse com a necessidade de adaptar as gravações: “Eu amava Michael, então estava pouco me lixando para isso. Também foi uma lição incrível perceber que ele continuava sendo absolutamente cativante. A maioria dos atores daria o braço direito para conseguir ser tão envolvente mesmo apenas lendo as falas”.

Imelda Staunton, que interpretou Dolores Umbridge nos filmes da franquia, também relembrou as dificuldades de Gambon para memorizar o texto. Em depoimento ao biógrafo Jasper Rees, ela contou que presenciou uma cena na qual o ator precisou de ajuda para acompanhar suas falas.

Daniel Radcliffe e Michael Gambon em “Harry Potter”. (Foto: Divulgação)

“Havia uma pequena cena com ele, Dan [Radcliffe] e eu, e ele precisou que o texto fosse escrito para ele. E não era muita coisa”, recordou. A atriz disse que a situação a surpreendeu, sobretudo pela trajetória do colega no teatro e no cinema. “Pensei: ‘Nossa, esse é o homem que interpretou todos esses grandes papéis, e isso vai acontecer com todos nós’”, afirmou.

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David Bradley, que viveu Argus Filch, o zelador de Hogwarts, também relatou um episódio em que Gambon teve dificuldades durante uma gravação acompanhada por executivos de estúdios norte-americanos: “Eu estava perto dele, olhando para o salão cheio de crianças, e todos os executivos tinham vindo dos Estados Unidos. Ele tinha um longo discurso cheio de informações, que é a coisa mais difícil de memorizar, e Mike se atrapalhou algumas vezes. Em determinado momento, depois de várias tentativas, ele parou e disse: ‘Quem escreveu essa porcaria?’ Todo mundo ficou paralisado”.

O ator morreu em 2023, aos 82 anos, após um episódio de pneumonia. Ao longo da carreira, ele recebeu prêmios como o Olivier Award e o Bafta de televisão e foi condecorado cavaleiro pela rainha Elizabeth II por seus serviços às artes dramáticas. Além de seu trabalho nos filmes de “Harry Potter”, Gambon construiu uma trajetória de destaque no teatro e na televisão britânica.

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