A oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará redefinir sua liderança para o próximo mandato. Com a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, partidos de centro e de direita intensificaram os debates sobre novos nomes para capitaniar o grupo a partir de 2027.
O crescimento de Tarcísio de Freitas
Políticos do Centrão e aliados do PL avaliam reservadamente que o episódio recente eleva o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como a alternativa mais consistente. Antes preterido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em favor do clã, o chefe do executivo paulista é visto por entusiastas como um nome capaz de atrair eleitores que rejeitam o PT.
Apesar da derrota nas urnas, Flávio recebeu quase 60 milhões de votos, marca utilizada por defensores da família para sustentar sua relevância política. A estratégia esbarra, contudo, na resistência de setores moderados e do Centrão, que criticavam o excesso de confiança da campanha e viram na saída do senador para o exterior um fator de desgaste.
“A família Bolsonaro, queira ou não, tem um eleitorado cativo. Os próximos passos precisam levar isso em consideração. Quem quer que seja, seja ele com sobrenome Bolsonaro ou sem, vai ter que trabalhar para manter essa galera mobilizada”, diz um senador.
Força no Congresso e o teste das urnas
Mesmo com indefinições na cúpula, o campo conservador assegurou expressiva representação legislativa. O PL formará a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares, e o maior bloco do Senado a partir de 2027, contabilizando 28 senadores. No entanto, para impor barreiras ao governo, a legenda precisará negociar com siglas como União Brasil, PP, Republicanos e Podemos.
Antes da disputa presidencial de 2030, o grupo político passará pelo teste das eleições municipais de 2028. O pleito para prefeitos e vereadores servirá para medir forças locais, expandir alianças e posicionar cabos eleitorais estratégicos para a próxima corrida ao Planalto.
A estratégia do clã bolsonarista
Enquanto Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e nomes como Eduardo Bolsonaro também se encontram nos Estados Unidos, aliados indicam que a família aposta em pressões externas. No cenário interno, o grupo manterá forte influência institucional através de Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, eleitos para o Senado, além de Renato Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro na Câmara.








