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Jovem viraliza instalando bebedouros no sertão para salvar animais na seca

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Jovem viraliza instalando bebedouros no sertão para salvar animais na seca
Ciência

Jovem viraliza instalando bebedouros no sertão para salvar animais na seca.

Ação voluntária em Cantanhede, no Maranhão, abastece 250 litros de água por semana e registra espécies ameaçadas pela estiagem no Cerrado

Maria Alves
22/10/2026 02:00

A escassez extrema de água durante a estiagem no interior do Maranhão ameaça a sobrevivência da fauna silvestre. Em Cantanhede, município localizado na zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia, a falta de fontes hídricas naturais na estação seca afeta a rotina e o deslocamento de diversas espécies.

Por isso, o estudante Eric Rian, 16 anos, decidiu instalar bebedouros em diversos pontos da região para essas espécies. Para combater o cenário da seca, pontos artificiais de dessedentação — estruturas destinadas ao abastecimento de água para animais — garantem mais de 250 litros de água por semana a répteis, aves e mamíferos que buscam recursos em áreas de vegetação ressecada.

Estudos apontam que períodos prolongados de seca alteram o comportamento dos animais silvestres.

Com a diminuição de riachos e lagoas, as espécies reduzem suas áreas de busca por comida e água ou percorrem distâncias maiores na busca por hidratação, ficando mais expostas a riscos como atropelamentos, caça predatória e estresse térmico. A oferta controlada de água limpa surge como uma alternativa complementar para reduzir o desgaste físico dos animais durante os meses de maior calor.

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do Metrópoles

A iniciativa que transforma a rotina de Cantanhede

A ação voluntária no município maranhense começou a partir do interesse individual do estudante com o ecossistema da região. Eric iniciou o projeto de instalação e manutenção dos pontos de água quando tinha 14 anos, impulsionado pela observação da seca na vegetação nativa.

“A ideia surgiu de uma curiosidade que eu tinha: onde os animais silvestres bebem água durante a seca? Nessa região, onde estão localizados os bebedouros, a estiagem é muito intensa, e praticamente não há fontes naturais de água disponíveis para os animais”, conta Eric, em entrevista ao Metrópoles.

O estudante do segundo ano do ensino médio começou em agosto de 2024 posicionando recipientes simples e monitorando o local de forma improvisada. “Naquela época, como eu não tinha praticamente nenhum conhecimento sobre a fauna local, imaginava que, no máximo, alguns passarinhos visitariam o local. Eu posicionava meu celular, ia embora e voltava algumas horas depois para conferir horas de gravação e descobrir se algum passarinho tinha aparecido”, relembra.

Monitoramento e diversidade da fauna local

Atualmente, o projeto mantém cinco pontos hídricos em funcionamento no município de Cantanhede, divididos entre bebedouros adaptados e ocos de árvores capazes de armazenar o líquido de forma segura. O trabalho de reabastecimento é feito exclusivamente pelo estudante a cada cinco ou sete dias, exigindo o transporte manual da água até as áreas de mata.

Para acompanhar a eficiência dos pontos e registrar a frequência dos animais, o jovem utiliza armadilhas fotográficas e câmeras de monitoramento fixadas nas árvores. O material gravado revelou uma biodiversidade expressiva que utiliza o recurso ao longo de todo o dia.

“A movimentação é muito maior durante o dia, com centenas de pássaros visitando os bebedouros. Já outros animais costumam aparecer principalmente durante a noite, como o gato-do-mato, o tamanduá-mirim, o cachorro-do-mato e a jaguatirica”, destaca o jovem.

Além de fornecer alívio direto à fauna durante o período mais severo do ano, o monitoramento contínuo contribui para o registro da presença de espécies nativas na região.

“Meu propósito é ajudar os animais a atravessarem o período de escassez de água e, ao mesmo tempo, mostrar a riqueza da nossa fauna, que muitas pessoas nem imaginam existir”, conclui o estudante.

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